A Indispensável Palavra

Derek Prince
Published: 2021
Last Updated: outubro de 2026
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Quando Satanás tentou Jesus no deserto, Ele respondeu com as Escrituras, em vez de argumentar. A Bíblia é a Palavra de Deus, que tem autoridade, inspirada pelo Espírito Santo e concedida para equipar os crentes para uma vida fiel e para a resistência espiritual.
Nas últimas quatro cartas de ensino desta série estudamos o tema da perseverança. Os dois ensinamentos finais da série exploram a autoridade da Palavra de Deus.
Quando consultamos um médico, queremos ter a certeza de que ele sabe exatamente o que está dizendo. Esperamos que os médicos sejam capazes de dizer como prevenir as doenças, remediar a dor ou o mal-estar quando necessário e como permanecer saudáveis e em forma. Queremos que eles sejam muito experientes na sua especialidade, mas também que tenham tido estudo e treino apropriado. Quantos de nós iríamos a um médico que nunca tivesse concluído o curso de medicina, estudado os livros ou que não se mantivesse atualizado acerca das mais recentes pesquisas científicas? Estaria esse indivíduo devidamente preparado para ajudar as outras pessoas?
A mesma coisa se aplica a nós, cristãos. Podemos ter toda a “experiência de campo” possível e imaginária, mas se não tivermos estudado O Livro – se não confiarmos no manual da autoridade – não seremos bem-sucedidos em viver a vida abundante. Você pode defender uma filosofia razoável e pensamentos nobres sobre Deus todo o dia, mas se não estiver enraizado na Sua Palavra, aquilo que você diz não será de confiança. Não há outra maneira: a nossa vida cristã tem de ser construída sobre os alicerces da Palavra de Deus.
Existem duas aplicações nas Escrituras sob o título “a Palavra de Deus”. Uma é a própria Bíblia (a Palavra de Deus escrita) e a outra é Jesus Cristo (a Palavra de Deus em pessoa). Cada uma delas é chamada “a Palavra de Deus”. Se desejamos ter um relacionamento correto com Jesus, temos que ter um relacionamento correto com a Bíblia. Então, vamos explorar a autoridade e o poder da Palavra de Deus.
De Quem é Esta Palavra?
A Palavra autoridade vem da palavra autor. A autoridade de qualquer trabalho é a autoridade do seu autor. É o autor que dá autoridade ao que quer que ele produza. Por isso é importante conhecer a identidade do autor da Bíblia.
“Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3:16-17) (ARIB, Almeida Revisada Imprensa Bíblica)
Se deseja ser perfeito e totalmente equipado para toda a boa obra, a fonte de tudo isto são as Escrituras. Paulo também diz: "Toda a Escritura é inspirada por Deus.” A palavra grega “inspirada por Deus” é definida como “respirada” ou “soprada por Deus”. A palavra “fôlego” ou “sopro” e a palavra “espírito” são idênticas. Paulo está dizendo, “Toda a Escritura é soprada pelo Espírito de Deus”. A autoridade por detrás da totalidade das Escrituras é a autoridade do Espírito Santo. Ele é, em última análise, o autor. Ele usou muitos instrumentos diferentes, mas a autoridade do Espírito Santo – que é o próprio Deus – dirigiu cada um deles. Quando nos alimentamos das Escrituras, estamos nos alimentando da autoridade do próprio Deus.
Paulo também ressalta que todas as Escrituras são inspiradas, não apenas algumas. Não podemos nos dar ao luxo de separar os textos que consideramos valiosos dos demais. O próprio Espírito Santo declarou que toda a Escritura é inspirada por Deus e que toda a Escritura é proveitosa. Não existem livros que possamos deixar de lado ou considerar sem importância. Não foquemos apenas em algumas passagens mais conhecidas das Escrituras e pensemos que só elas importam.
Se você quer ser equipado - e permanecer equipado – então tem de confiar na totalidade das Escrituras. Você verá que será cada vez mais fortalecido ao meditar, estudar e aplicar a Palavra de Deus. Jesus disse que precisamos de escutar e fazer o que a Palavra de Deus nos ensina; não apenas escutar, mas escutar e fazer.
Você poderia dizer: “Mas os homens que escreveram a Bíblia eram, em muitos casos, fracos e falíveis. E a Bíblia até registra muitos dos seus pecados.” E você teria razão. Eu acredito que isto é uma marca da exatidão da Bíblia – que Ela registra os pecados daqueles que A escreveram. Muitas pessoas hoje em dia omitiriam os seus pecados e tentariam apresentar-se como sendo infalíveis. Os escritores da Bíblia não fizeram isso. Até Davi, que escreveu a maioria dos Salmos, registrou os seus graves pecados para que todos lessem.
Então como pode a Bíblia ser infalível se as pessoas que A escreveram eram falíveis? Há uma resposta maravilhosa a esta pergunta num simples versículo:
“As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes.” (Salmos 12:6) (ACF)
Aqui está uma imagem de como as pessoas costumavam purificar o metal. Construíam uma fornalha de barro, acendiam o fogo e colocavam o metal dentro, para ser purificado. Temos três coisas nesta ilustração: a fornalha de barro, que é o instrumento humano, somente barro; o fogo, que é o Espírito Santo, que purifica a prata, que é a mensagem. Isto demonstra como homens e mulheres falíveis podem ser canais para produzir uma Palavra de Deus inspirada e autoritária. O barro é o recipiente humano, o fogo é o Espírito Santo e a prata – purificada sete vezes, absolutamente pura – é a mensagem de Deus.
A Bíblia, apesar de ter vindo até nós através de recipientes de barro – homens e mulheres fracos, falíveis, pecadores– foi purificada sete vezes pelo fogo do Espírito Santo. Ela é totalmente confiável.
Jesus e a Palavra
Precisamos compreender a atitude do próprio Jesus perante a Bíblia, porque para nós que somos os Seus discípulos, Ele é o padrão. Como é que Ele se relacionou com a Bíblia? Vejamos a Sua resposta numa discussão com líderes Judeus:
“Se ele chamou ‘deuses’ àqueles a quem veio a palavra de Deus (e a Escritura não pode ser anulada)” (João 10:35) (NVI)
Aqui Jesus dá à Bíblia os dois títulos que os Seus seguidores têm usado desde então: a Palavra de Deus e a Escritura. Onde Ele usa “a Palavra de Deus”, quer dizer que ela provém de Deus. Ela não provém de homens, mas do céu, de Deus. E onde diz “a Escritura”, refere-se ao que foi registrado pela escrita. Deus disse muitas coisas que não foram registradas pela escrita, mas as que estão inseridas na Bíblia, estão lá para o nosso benefício. Elas contêm tudo o que necessitamos saber para a nossa salvação.
A atitude de Jesus está resumida na afirmação: “…a Escritura não pode ser anulada.” Nada consegue exprimir a autoridade das Escrituras de forma mais completa do que esta simples frase.
Vejamos como Jesus usou as Escrituras. Ele é o nosso padrão. Veremos o que aconteceu quando Jesus estava no deserto sendo tentado por Satanás. O final do terceiro capítulo de Mateus registra o batismo de Jesus no rio Jordão.
“E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3:16-17) (ACF)
Nós poderíamos pensar que, após isso, Jesus teria uma vida fácil, já que Ele tinha a garantia tanto do Pai, como do Espírito – juntamente com o do profeta João Batista. Mas não seria bem assim.
Depois desse encontro sereno e poderoso, Jesus esteve no deserto, em jejum durante quarenta dias para ser tentado por Satanás. Por favor, não pense que a bênção de Deus tornará sempre a sua vida mais fácil. A realidade é que, de certa forma, até poderá torná-la mais difícil, pois Satanás se opõe mais firmemente àqueles que Deus ungiu.
Lucas diz que Jesus foi guiado pelo Espírito para o deserto (Lucas 4:1), mas ao término dos quarenta dias, Ele saiu no poder do Espírito (v. 14). Repare na diferença. Uma coisa é ser guiado pelo Espírito; outra coisa é se mover e operar no poder do Espírito. Jesus não se moveu e não operou no poder do Espírito até que teve o Seu conflito com Satanás e venceu. De certa forma, cada um de nós necessitará percorrer este mesmo caminho. Teremos de vencer a tentação e a oposição, de forma que possamos nos mover no poder do Espírito Santo.
Quando Satanás veio a Jesus, em Mateus 4, a primeira coisa que ele fez foi tentar Jesus a duvidar. Essa é quase sempre a aproximação inicial de Satanás. Ele não nega imediatamente a Palavra de Deus; ele vai questioná-la ou levar você a duvidar dEla. Atente para a primeira coisa que Satanás disse a Jesus:
“E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.” (Mateus 4:3) (ACF)
Lembre-se que Deus tinha acabado de falar do céu, dizendo: “Este é o meu Filho amado.” Mas Satanás estava desafiando Jesus para duvidar do que Ele tinha ouvido de Deus.“Se você é o Filho de Deus, então faça alguma coisa para provar isto, manda que estas pedras se tornem em pães.”
“Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” (Mateus 4:4) (ACF)
Isso é muito importante. Jesus lidou com a tentação, confrontando-a com a Palavra escrita de Deus. “Está escrito.” Não julgue que é suficientemente esperto para discutir com o diabo. Ele já anda neste ramo há muito, muito tempo. Não tente convencê-lo com os seus argumentos. Em vez disso, confronte-o com as Escrituras. Cada vez que Jesus foi tentado, Ele respondeu com “Está escrito”. E sempre que Jesus o dizia, Satanás mudava de assunto. Ele sabia que não tinha qualquer resposta para as Escrituras. Não seja tentado a vencer Satanás pelos seus próprios meios. Apenas responda-lhe com a Palavra escrita de Deus. As Escrituras têm autoridade. Aceite-a. Viva por ela. Responda ao diabo com ela. Ele não consegue responder à Palavra escrita de Deus.
Em Efésios 6:17 Paulo diz:” Tomai também … a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”; (ACF). Existem duas palavras gregas para “palavra”: uma é logos e a outra é rhema. Logos é o completo e eterno conselho de Deus. Rhema é uma palavra falada por Deus. Esta é a palavra usada em Efésios 6:17: “Tomai… a espada do Espírito, que é a (rhema, a falada) palavra de Deus.” Quando você enfrenta Satanás, tem de o confrontar falando a Palavra de Deus.
A Bíblia não o protegerá se ela estiver apenas enfeitando uma prateleira ou uma mesinha de cabeceira. Ela só funciona quando você a declara. É preciso colocá-la na sua boca e repeti-la. Então Ela se torna uma espada afiada da qual Satanás recua. Ele não tem resposta para Ela.
Vejamos o que Jesus disse sobre a autoridade da Palavra escrita de Deus, quando falava sobre o que nós chamamos de o Antigo Testamento:
“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18) (ACF)
A letra traduzida para o português como jota, no Hebraico moderno, é yod, o menor símbolo do alfabeto. “Til” (keraia) é uma pequena curva que se coloca sobre uma letra para a distinguir de outra letra semelhante. Estes são os dois menores itens usados no texto escrito em Hebraico, e Jesus disse que nenhum deles jamais passaria. Ele não estava se referindo à palavra falada por Deus naquele momento, porque as letras jota (yod) e “til” (keraia) só se aplicam ao que está escrito. Então, Jesus confirmou de forma absoluta a total autoridade da Palavra escrita de Deus.
Um pouco mais à frente, bem perto do fim do Seu ministério, Jesus estava lidando com os Saduceus, que eram os liberais daqueles dias, as pessoas que não aceitavam a autoridade da totalidade das Escrituras. Na verdade, eles apenas aceitavam a autoridade dos primeiros cinco livros, o Pentateuco. Eles desafiavam o ensino da ressurreição dos mortos e vieram a Jesus com uma pergunta esperta, mas isto foi o que Jesus lhes respondeu:
“E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.” (Mateus 22:31-32) (ARA)
Reparem como Jesus aplicou as Escrituras. Estas palavras foram escritas por Moisés catorze séculos antes. Foram palavras faladas por Deus diretamente a Moisés. Mas Jesus não falou acerca delas como algo que tinha sido dito a Moisés catorze séculos antes. Ele disse: “… não tendes lido o que Deus vos declarou?” As Escrituras nunca estão desatualizadas. Elas nunca são somente o registro da esperteza humana. Elas são inspiradas por Deus. E mesmo que tenha sido escrita há três mil anos atrás, ainda é Deus falando hoje. Essa é a autoridade das Escrituras, tal como Jesus a compreendia.
A Autoridade do Novo Testamento
A autoridade contida no Novo Testamento é a mesma contida no Antigo Testamento. Vamos observar Jesus com os Seus discípulos. Ele está preparando-os para a Sua partida:
“Tenho-vos dito isto, estando convosco. Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João 14:25-26) (ACF)
A autoridade expressa nos escritos dos apóstolos é a autoridade do Espírito Santo. E Jesus disse que Ele faria duas coisas: “O que for que Eu não os tenha ensinado, Ele os ensinará; e o que for que Eu tenha dito, que tenham esquecido, Ele trará à suas memórias.” Portanto, o registro dos evangelhos não depende da memória humana, depende da verdade do Espírito Santo.
Deixe-me mostrar que Jesus quebra as regras gramaticais para enfatizar que o Espírito Santo não é uma “coisa”, mas uma “pessoa”. De acordo com a gramática grega, Ele deveria ter empregado o pronome neutro, apenas usado para coisas, mas não o fez, Ele disse a palavra Ele. É vital compreendermos que o Espírito Santo não é apenas uma “coisa”, Ele é um “Ele”, uma pessoa, e precisamos nos relacionar com Ele como uma pessoa.
Em João 16, Jesus revela outra característica importante do Espírito Santo:
“… porque [Ele] não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vô-lo há de anunciar.” (João 16:13-14) (ACF)
O Espírito Santo glorifica sempre Jesus. Se alguma vez você se confrontar com manifestações espirituais que não glorificam a Jesus, mas dão glória a um homem ou em qualquer outra direção, pode ter a certeza de que não é o Espírito Santo. O ministério supremo do Espírito Santo é revelar e dar glória a Jesus. A Bíblia diz que devemos testar os espíritos e que podemos testar se algo é do Espírito Santo, ou não. Se glorifica a Jesus, então é proveniente do Espírito Santo. Se não glorificar a Jesus– pode até parecer muito bom ou espiritual e ser revelado em alta voz, mas não é do Espírito Santo, porque Ele não glorificará nada ou ninguém além de Jesus. Estou particularmente ciente disso. Eu me examino constantemente e me pergunto: “Estou dando glória a Jesus ou tento persuadir as pessoas que Derek Prince é alguém importante?” Derek Prince é apenas um pecador salvo pela graça de Deus.
Na próxima carta de ensino exploraremos mais acerca da natureza da Palavra de Deus. Vou ajudar vocês a descobrirem o Seu extraordinário poder e os efeitos que Ela pode ter na sua vida.

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