Orando Pelas Autoridades (Parte 2)

Derek Prince
Published: 1970
Last Updated: October 2026
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Os problemas governamentais não podem ser resolvidos apenas por meios humanos, pois há forças espirituais que se opõem aos desígnios de Deus. Nesta carta de ensino, as Escrituras relacionam a oração pelas autoridades com uma vida pacífica e piedosa e com o avanço do evangelho. Exemplos bíblicos tirados de Daniel e Ezequiel mostram por que a oração persistente é importante.
A Bíblia diz: Antes de tudo, na atividade cristã, está a oração. O primeiro tópico na lista de oração é para todos aqueles que estão em posição de autoridade. Pelo que devemos orar? Para que possamos levar uma vida devota a Deus, tranquila e pacífica. Por que devemos orar dessa maneira? Porque isso ajuda a propagar o evangelho. Isso não é lógico? Para mim, isso é pura e simplesmente senso comum. Não é um mistério remoto.
Graças a Deus, os mistérios foram dissipados pela luz da Palavra de Deus! É básico, é prático, é simples e funciona. Acredito que é a vontade de Deus que tenhamos um bom governo. Não falemos de outros países ou nações. Concentremo-nos no nosso. Um bom governo para o nosso país é a vontade de Deus.
O que a Bíblia diz que acontecerá se orarmos pelas coisas de acordo com a vontade de Deus? 1 João 5:14-15 nos diz:
“E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos”.
Em outras palavras, se você sabe que está orando de acordo com a vontade de Deus, então sabe que Deus o ouve; e se você sabe que Deus o ouve, você sabe que tem a resposta da petição que apresentou. Se for a vontade de Deus que esta nação tenha um bom governo, e se orarmos por isso sabendo que é a vontade de Deus, então, sabemos que Deus nos ouve; e se sabemos que Deus nos ouve, sabemos que alcançamos a petição que Lhe fizemos. Se não temos um bom governo, qual é a razão? É porque o povo de Deus não cumpriu as Suas condições que é orar.
De um modo geral, você pode dizer que os cristãos recebem o tipo de governo que merecem. Só que isso não acontece instantaneamente, há um período de tempo entre uma coisa e outra. Mas, em geral, os cristãos são responsáveis pelo governo sob o qual vivem. Se gastássemos menos tempo criticando e mais tempo orando, teríamos menos para criticar.
Há uma razão bíblica muito definida para que isso aconteça. Por que o povo de Deus é responsável? Porque somos as únicas pessoas que têm os meios para alcançar os resultados.
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).
Paulo diz: “Não temos que lutar”. Alguns cristãos pontuam esse versículo de forma errada. Eles leem: “Não temos que lutar” — ponto final! Não é isso que Paulo diz. Paulo diz: “Nós temos que lutar, mas não contra a carne e o sangue”. Paulo estava tirando sua metáfora dos antigos jogos olímpicos. Os historiadores concordam que, das várias competições nos Jogos Olímpicos, a luta livre foi a que mais exigiu dos participantes.
Nossa experiência cristã pode ser comparada a uma luta livre. Na luta livre, não há impedimentos. Cada parte do seu ser está envolvida. Esta é a vida cristã. Estamos em uma luta livre, mas não contra a carne e o sangue. Paulo diz que não estamos lutando contra seres humanos.
Contra o que estamos lutando?
- “Principados” — reinos invisíveis de poder.
- “Potestades” — os reinos de autoridade ocupados por esses reinos invisíveis.
- “Príncipes das trevas deste século", de forma mais literal, “os governantes atuais deste mundo tenebroso”.
- “Perversidade espiritual” – mais literalmente, “espíritos da maldade”.
Onde essa guerra acontece? “Em lugares altos”, ou mais literalmente, “em lugares celestiais”. Esta é uma revelação da Palavra de Deus que todo cristão deve conhecer. Há um reino organizado estabelecido em oposição a Deus e a todos os propósitos de Deus. É o reino de Satanás. Jesus disse que Satanás tem um reino. Além disso, ele disse que Satanás está no controle total deste reino que tem um objetivo em comum: se opor a Deus.
Este reino está estabelecido em uma área chamada “lugares celestiais”. A maioria dos comentaristas da Bíblia concordaria que este não é o “terceiro céu”, onde é a morada de Deus, e não é o primeiro céu, que é o céu visível, mas é o segundo céu, o céu intermediário. Existe um reino invisível que está acima do nível deste mundo, e é o reino das trevas. É um reino em total oposição a Deus, com um ódio absolutamente implacável de Deus, de todos os propósitos de Deus e de todo o povo de Deus. Isso inclui você e eu. O diabo te odeia com tudo o que há nele. Ele fará tudo o que puder para prejudicá-lo e destruí-lo. Ele vem para roubar, matar e destruir. Ele é uma pessoa extremamente poderosa.
É nosso dever como cristãos derrubar este reino. Não pode ser feito por presidentes e generais, porque eles não têm armas. Se fosse uma questão de lutar contra a carne e o sangue, soltaríamos os tanques, os carros blindados e os aviões. Mas tanques, carros blindados e aviões são totalmente ineficazes, porque não estamos lutando contra a carne e o sangue.
Muitos dos líderes políticos estão chegando à mesma conclusão. Eles podem não usar a linguagem, mas a implicação está lá. Podemos notar claramente que quase todos os líderes políticos deste país reconhecem que estão enfrentando problemas para os quais não têm solução. Isso é exatamente o que a Bíblia diz.
Não é contra a carne e o sangue. Você pode matar nazistas, mas não pode matar o nazismo. Você pode matar um número infinito de homens, mas não lida com as forças espirituais por trás deles. Apenas matar homens não resolverá o problema. Paulo diz em 2 Coríntios 10:3-5: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne” - nossa guerra não é no reino carnal, não é no físico, não é contra a carne e o sangue. “Pois as armas da nossa milícia não são carnais” - não são bombas, canhões ou tanques, mas são “poderosas em Deus para destruir fortalezas”. Isso se refere às fortalezas de Satanás.
Observe onde estão as fortalezas! “... Destruindo todo o conselho e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.” A leitura alternativa para “conselho” é “raciocínio”. A guerra está no reino da mente: argumentos, imaginações, pensamentos e conhecimento. Você não pode mudar a atitude de um homem acabando com ele. Ele sairá com as mesmas atitudes.
Durante a crise de Mao Mao na África Oriental, as autoridades britânicas executaram alguns dos líderes de Mao Mao por enforcamento. Conheço um missionário que estava lá quando eles foram executados. Ele disse que eles foram para a forca repetindo: " eu volto, eu volto". Não era o homem que estava falando. Era o demônio no homem. Você pode matar o corpo de um homem, mas o demônio dentro do homem voltará.
Não estamos lutando contra a carne e o sangue. Estamos em um plano diferente; temos inimigos diferentes, temos armas diferentes. Mas as armas que Deus nos deu são poderosas! Elas são invencíveis, se as usarmos. Se somos derrotados, não é por falta de armadura. É através do fracasso em usá-la.
Exemplos do Antigo Testamento
Quero entrar no Antigo Testamento para dar dois exemplos que revelam o véu do reino espiritual invisível que domina e controla os assuntos humanos. Acredito que os fatores espirituais são absolutamente decisivos nos assuntos mundiais, nos assuntos nacionais e nos assuntos pessoais. Temos que reconhecer a verdade dos eventos históricos, o impacto dos fatores sociais e econômicos. São fatores reais, mas o elemento dominante, controlador e decisivo por trás de todos eles, é o espiritual. É por isso que a igreja é o fator decisivo nos assuntos mundiais, porque a igreja é o único agente que pode entrar neste reino e operar ali. É perfeitamente lógico.
O capítulo 28 de Ezequiel contém o desdobramento mais notável desse reino duplo: o reino visível com o governante humano natural e o reino invisível com o governante satânico. Nos primeiros dezenove versículos deste capítulo, temos uma lamentação ou uma reprovação amarga contra duas pessoas. Um é chamado de “o príncipe de Tiro”, o outro é chamado de “o rei de Tiro”. O príncipe de Tiro é um ser humano. Ele afirma ser Deus, mas na verdade é um homem e, como homem, deve morrer. Mas o rei de Tiro não é, nem foi, nem jamais poderia ser um ser humano. Estude as marcas de identificação muito claras que são dadas nos versículos 12 a 18, e há apenas uma conclusão: este rei de Tiro não é outro senão o próprio Satanás. Atrás do reino visível de Tiro com seu príncipe, está o reino invisível de Tiro com seu rei, o governante mundial das trevas, que é Satanás. O que acontece no reino visível é determinado pelo que acontece no reino invisível. É o invisível que decide o curso da história.
Acredito que por trás de cada reino, cada nação, cada grande cidade, existe um governo invisível. Há um governo sobre o estado da Flórida, também há um poder espiritual invisível controlando Miami. Viajei muito e notei que quando você vai a certas cidades, pode sentir a presença de poderes espirituais. Eles não são sempre os mesmos. Eu estava em Berlim há alguns anos e a atmosfera estava impregnada de impureza sexual e luxúria. Outras cidades têm influências diferentes. Em Chicago, o espírito predominante é o de violência. Em Nova Orleans é a bruxaria. Se você for sensível, poderá sentir os poderes invisíveis que dominam e controlam uma certa área. Nunca há avanço no reino de Deus até que esses poderes espirituais sejam subjugados através da oração. Quando isso acontecer, a avalanche de avivamento inundará uma nação, um reino ou uma cidade. A grande barreira que impede o mover de Deus está no reino invisível.
Isto foi vividamente ilustrado há alguns anos na Argentina. Um missionário chamado Miller foi para a Argentina com todo tipo de planos para realizar a obra de Deus. Mas Deus o trancou em uma igrejinha de barro por mais de um mês e tudo o que ele podia fazer era orar. Ele orou até que os poderes espirituais que controlavam a Argentina fossem subjugados. Naquele país fortemente católico, Deus milagrosamente abriu o caminho para que o maior estádio de todo o país fosse ocupado por um pequeno e insignificante pregador americano que ninguém conhecia. Depois de um mês, 200.000 pessoas vinham diariamente para ouvir sua mensagem. Este é um dos movimentos mais notáveis de Deus registrados na história da igreja e aconteceu porque as forças invisíveis foram amarradas.
Outro exemplo de poderes espirituais no Antigo Testamento é encontrado no décimo capítulo de Daniel. Daniel se pôs a orar por vinte e um dias com especial fervor pela intervenção divina em favor de seu povo. No final deste período, um anjo veio com uma revelação que foi a resposta às suas orações. O anjo disse a Daniel:
“Desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, as tuas palavras foram ouvidas; e eu venho por causa das tuas palavras.”
Daniel orou por vinte e um dias, mas sua oração foi ouvida no primeiro dia. Por que ele teve que esperar vinte e um dias pela resposta? No versículo 13, o anjo deu o motivo:
“Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia.”
Este “príncipe do reino da Pérsia” não era um ser humano. Esses eventos não ocorreram no plano humano. Foi um anjo que trouxe a mensagem, e foi um anjo que se opôs ao mensageiro angelical. Outro anjo, Miguel, veio em auxílio do primeiro anjo. Esta foi uma guerra espiritual de anjos nos lugares celestiais.
Observe, foi o que aconteceu na terra que decidiu o curso dos eventos no céu. Esta é uma verdade tremenda. Nada tinha acontecido até que Daniel começasse a orar. Foram as orações de Daniel que liberaram o anjo e fizeram as coisas acontecerem, não o contrário! Se ao menos o povo de Deus visse que as questões são resolvidas por nós. Elas não são resolvidas pelos anjos.
Apocalipse 12:11 nos diz: “Eles” — o povo de Deus na terra — “o venceram” — Satanás — “pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho”. Nós somos o fator decisivo nos assuntos do universo. Não estou exagerando nem um pouco. Se Daniel não tivesse orado, as coisas nunca teriam acontecido no céu. Ele teve que orar por vinte e um dias para obter a resposta. O que atrasou a resposta? Isso não foi porque Daniel não orou de acordo com a vontade de Deus. Não havia nada de errado com sua oração. Satanás, como governante das trevas do reino da Pérsia, foi o motivo da demora.
Muitas vezes você não tem sua oração respondida, não porque você está orando de forma ou pelo motivo errado, mas simplesmente porque, primeiro, você tem que orar para que aquele velho e perverso governante das trevas saia do caminho. Se você não estiver preparado para fazê-lo, não obterá a resposta à sua oração. Você tem que orar para quebrar a barreira. Você tem que desafiar Satanás. A maioria das pessoas tem medo de fazer isso. Se você entrar nesse reino, enfrentará problemas e tentações que não surgem no caminho do cristão comum. Forças invisíveis serão dirigidas contra qualquer pessoa que se proponha a orar inteligentemente por aqueles que estão em posição de autoridade. Se você não tem coragem e determinação, nem comece. Minha linguagem pode não parecer refinada, mas é isso que quero dizer.
No versículo 20, depois que a revelação foi concedida, o anjo disse:
“E ele disse: Sabes por que eu vim a ti? Agora, pois, tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia.”
Nenhum deles são seres humanos. Eles são os governantes satânicos por trás dos primeiros reinos. Esses reinos são significativos porque foram eles que dominaram sucessivamente a Terra Santa. Primeiro, a Babilônia, depois a Pérsia, depois a Grécia e depois Roma. Atrás de cada um estava um grande príncipe satânico. A questão dos eventos foi decidida não no reino celestial, mas na terra mesmo, pela oração de um homem, Daniel.
Deus disse em Ezequiel 22:30-31:
“E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei. Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação; com o fogo do meu furor os consumi; fiz que o seu caminho recaísse sobre a sua cabeça, diz o Senhor DEUS.”
“Se eu pudesse encontrar um homem em toda a nação”, disse Deus, “poderia tê-los poupado”. Pense nisso! Um homem poderia ter virado a maré de uma nação inteira. No entanto, não havia sequer um homem disposto a fazê-lo.
Deus está procurando um homem! E quando digo um homem, quero dizer um homem. Já é tempo de homens cristãos começarem a agir como homens. A liderança nunca foi planejada para estar nas mãos de mulheres. Não digo isso para criticar as senhoras, porque a culpa é dos homens. Estou firmemente convencido de que os homens americanos abdicaram de suas três principais responsabilidades - como maridos, pais e líderes espirituais. Deus está procurando um homem, um homem para parar na brecha e erguer um muro. Se Ele não conseguir encontrar um, as coisas seguirão o caminho de Israel sob a antiga aliança. A questão é com você! Se você não pode ver, que Deus abra seus olhos. E se você não reconhece sua responsabilidade pessoal, que Deus lhe conceda o arrependimento.

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