A Restauração de Israel

Derek Prince
Published: 2002
Last Updated: 2026 M09
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Deus está restaurando e protegendo Israel de acordo com os propósitos de Sua aliança. Derek Prince recorre a Jeremias 31 e ao Salmo 102 para mostrar a misericórdia de Deus para com o povo judeu, rejeitando a alegação de que as promessas feitas a eles tenham sido transferidas para a igreja. A restauração de Israel aponta para a fidelidade de Deus e para o retorno iminente de Cristo.
“Em setembro de 2000 decidi voltar a residir novamente em Israel e, desde então, enfrentei os maiores desafios, em termos de doenças, da minha vida. Acredite, esses dois eventos estão interligados. Quando você se propõe a fazer algo em Israel para o Senhor, você suscita muita oposição. Tive os mais diversos tipos de doenças, entre elas câncer, polimialgia reumática e pneumonia dupla. Mas pela graça de Deus, estou fazendo um bom progresso.
Não quero me vangloriar ao dizer que esta crise não foi nenhuma surpresa para mim. Raramente estive em Israel sem que houvesse algum tipo de crise. Existem certos versículos da Bíblia aos quais recorro em momentos como este que gostaria de compartilhar aqui. Jeremias 31:10 diz:
“Ouvi a palavra do Senhor , ó nações
e anunciai-a nas ilhas longínquas, e dizei:
‘Aquele que espalhou a Israel o congregará
E o guardará, como o pastor, ao seu rebanho.’”
Deus está falando aqui para outras nações além de Israel. Ele está dizendo, na verdade: “Estou planejando restaurar ao Meu povo judeu a terra que lhes dei. Se você tentar impedir ou se opor ao que estou fazendo, terei que tratá-lo como Meu inimigo.”
Este é agora um fato da história. Aquele que espalhou [dispersou] Israel não apenas o congregará [reunirá], mas já o está reunindo. Lembre-se, essas palavras foram ditas há mais de dois mil anos. Mas elas descrevem a situação exata de Israel hoje. A linguagem utilizada é particularmente apropriada. O hebraico usa apenas uma palavra para dizer que o reunirá, e essa palavra tem a mesma raiz de kibutz. Um kibutz é um tipo especial de comunidade que surgiu quando os judeus começaram a retornar a esta terra. Assim, poderíamos ampliar essa afirmação: “Aquele que espalhou [dispersou] Israel o congregará [reunirá] em kibutzim”. Este é um exemplo notável da percepção profética de Deus revelada nas Escrituras. Pessoalmente, não acredito que Israel teria sobrevivido nos últimos 54 anos sem os kibutzim.
Sempre que há uma crise, minha reação é reafirmar: “Aquele que dispersou Israel não apenas o reunirá, mas já o está reunindo e vai protegê-lo”. O uso da frase “o guardará [ou o protegerá]” indica que haverá um momento de crise, que não será uma situação normal e pacífica. Portanto, sempre que alguém liga o noticiário e ouço sobre outra crise, digo a mim mesmo: “Aquele que espalhou a Israel já o está congregando [reunindo-o] e o guardará [o protegerá].”
Pessoalmente, não entro em pânico em tempos de crise. Procuro fazer uma avaliação realista e tomo precauções razoáveis. Mas isso não abala minha convicção de que “Aquele que espalhou Israel o protegerá”.
Uma Oração dos Aflitos
Quando me sinto pressionado, costumo recorrer ao Salmo 102. A versão King James Atualizada chama esse salmo de “Súplicas de um aflito à beira do desespero, derramando seu lamento diante do Senhor". Certamente é um grito de desespero, mas também contém algumas joias preciosas. Os dois primeiros versos revelam um coração desesperado:
“Ó SENHOR, ouve a minha oração!
Chegue a ti o meu pedido de socorro!
Não escondas de mim a tua face, no dia de minha angústia!
Inclina para mim os teus ouvidos! Responde ao meu clamor com urgência!”
Aqui está uma pessoa desesperada que sabe que não tem ajuda senão em Deus. Gosto da maneira como os salmistas são tão francos; não encobrem nada: “Se não me ouvires, Senhor, não tenho outra ajuda. Estou perdido." Em seguida, o salmista prossegue nos versículos três e quatro para descrever sua própria condição lamentável:
"Pois meus dias esvaíram-se como fumaça;
Os ossos ardem como braseiro;
Meu coração está ressequido como erva cortada;
Até me esqueço de comer meu pão.”
É uma pessoa desesperada, que não consegue nem se lembrar de comer e que continua perdendo peso. O salmista continua nos versículos cinco a sete:
“Meus gemidos são tão veementes,
Que meus músculos aderem aos ossos.
Sou como a gralha da estepe,
Como a coruja das ruínas.
Fico insone:
Tornei-me qual pássaro solitário no telhado.”
A gralha e a coruja são dois pássaros que raramente parecem felizes. E qual é o problema com aquele pássaro? Ele está sozinho. Ele perdeu sua companheira.
Nos versículos oito a dez, chegamos ao âmago da questão:
“Todo dia meus inimigos me ultrajam;
Furiosos, contra mim praguejam.
Pois alimento-me de cinza, como se fosse pão;
E lágrimas misturo à minha bebida.
Por causa da tua indignação e da tua ira,
Tu me ergueste e me arrojaste ao chão.”
Para mim, esse é o âmago do sofrimento do homem: “Tu me ergueste e me arrojaste [rejeitaste] ao chão.” ou seja: “Você me criou. Você me deu destaque e depois me jogou de lado.” Acredito que essa seja a declaração mais amarga que alguém pode fazer.
Falando como gentio, vejo isso como a raiz da agonia do povo judeu. Deus os ergueu 2.400 anos atrás. Naquela época, se você quisesse saber a verdade sobre Deus, a quem você iria? Para um judeu. Se você quisesse conhecer as verdadeiras formas de adoração, a quem você iria? Para um judeu. Se você quisesse conhecer Deus pessoalmente, onde você iria? Para Jerusalém.
Nós, gentios, dificilmente podemos simpatizar com tudo o que o povo judeu passou. O salmista diz: “Você me rejeitou”. Como prova, uma mesquita muçulmana agora fica onde ficava o templo.
Através de minhas experiências em ministrar a pessoas que precisam de libertação de demônios, aprendi algo sobre as razões pelas quais as pessoas sofrem. Aprendi que a forma de sofrimento mais dura e dolorosa é a rejeição. A rejeição é, acredito, a ferida mais profunda do coração humano.
Em nossa sociedade atual, estamos cercados por pessoas que foram rejeitadas. Acredito que os seres humanos foram projetados para encontrar o amor. Mas quando uma criança pequena não encontra o amor do pai ou da mãe, surge uma ferida profunda de rejeição. Depois disso, muitas outras feridas podem surgir. As pessoas estão buscando amor continuamente. Mas onde elas encontram o oposto, o resultado geralmente é uma ferida desesperadamente profunda.
Acredito que a raiz do problema do povo judeu é a rejeição, e eles nem mesmo sabem disso. Se você já lidou com uma pessoa rejeitada, saberá que ela costuma ser agressiva. Mas isso é apenas um disfarce. A verdade é que elas desejam ser amadas. Isso é verdade para o povo judeu; eles anseiam por aceitação.
O salmista diz: “Tu me levantaste e me lançaste fora.” Eu poderia me referir a várias outras passagens que dizem a mesma coisa sobre Israel. Deus certamente os levantou, Ele os fez cabeças das nações, Ele lhes deu um lugar de destaque - e então Ele os rejeitou! Ele não os rejeitou para sempre, mas é preciso ter fé para se apegar a isso.
O versículo doze é onde encontramos esperança. Aqui está a resposta bíblica à rejeição:
“Mas, tu, ó Eterno [Senhor], estás entronizado para sempre e serás lembrado, de geração em geração.”
“Mas tu, ó Senhor.” Afaste sua mente de si mesmo, de seus problemas, de seus sofrimentos, de seus fracassos. Não há ajuda a ser encontrada lá. A única fonte de esperança e ajuda é o Senhor. Você pode culpar outras pessoas pela sua situação (e talvez elas sejam culpadas, mesmo), mas elas não têm nenhuma solução para lhe oferecer porque só há uma solução: o Senhor — e Ele está sempre presente.
Um Tempo de Restauração
Nossa caminhada pelo Salmo 102 deu uma guinada na direção certa. O salmista escolheu confiar no amor e na misericórdia de Deus. Versículo 13:
“Tu te erguerás e terás misericórdia de Sião;
Porque já é tempo de teres piedade;
Sim, o momento chegou.”
A atual restauração do povo judeu é uma marca exclusiva da piedade de Deus. No calendário de Deus, há um tempo determinado para a piedade de Sião. Acredito que estamos vivendo nele agora ou estamos nos aproximando dele.
Existem duas palavras nesse versículo que descrevem algo que nunca podemos ganhar por merecimento: piedade e misericórdia. O próprio fato de precisarmos de misericórdia significa que não podemos fazer nada para merecê-la. Aqui, acredito, está um problema central com pessoas religiosas como você ou eu. Se não podemos fazer por merecer, não o queremos. A maioria de nós foi criado para pensar que religião é merecimento de alguma coisa. Se você atingir certos padrões ou atender a certos requisitos, obterá certos benefícios. Acredito que haja um elemento disso na vida de fé, mas não é disso que estamos falando. Você não pode fazer por merecer a piedade e não pode fazer por merecer a misericórdia. Por definição, elas não podem ser conquistadas através de merecimento. Se você precisa de misericórdia é porque você não merece.
Ao ministrar para o corpo de Cristo, descobri que muitos cristãos criticam Deus porque Ele está restaurando o povo judeu - e eles acham que os judeus não merecem isso. Mas essa é a própria essência da piedade: obter aquilo que não se merece. Um resultado dessa maneira de pensar é a “teologia da substituição”, que defende que, uma vez que os judeus perderam o favor de Deus, todas as promessas que lhes foram feitas passam a aplicar-se à Igreja.
Por implicação, “a igreja” merece a piedade de Deus. Mas isso me deixa com um problema não resolvido. Em mais de sessenta anos de ministério, ainda não descobri uma igreja que realmente mereça o favor de Deus.
No versículo 16, o Salmo 102 segue para um emocionante clímax:
“Porque o Senhor reconstruirá Sião
E se manifestará na glória que ele tem.”
A versão Almeida Corrigida Fiel diz: “Quando o Senhor edificar a Sião, [Ele] aparecerá na sua glória”. A edificação de Sião é um dos sinais contemporâneos mais emocionantes de que o Senhor está se preparando para voltar.
Salmo 102:18 diz: “Que isso seja escrito para a geração futura, para que um povo, que ainda será criado, louve o Senhor." Eu estava compartilhando este versículo com um amigo judeu, e ele apontou que o hebraico não diz “a geração futura”; diz “a última geração”. Então, isso foi escrito para a última geração.
O que Deus está procurando então? Um povo para louvá-lo e, se necessário, Ele vai ter que criá-lo. Eu acredito que é exatamente isso que Deus está fazendo no presente, criando um povo que vai oferecer a Ele o louvor que Ele merece. E esse povo será constituído tanto de judeus como de gentios.

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