A Restauração de Israel

Derek Prince
Published: 2002
Last Updated: November 2026
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Deus está a restaurar e a proteger Israel segundo os propósitos da Sua aliança. Derek Prince recorre a Jeremias 31 e ao Salmo 102 para mostrar a misericórdia de Deus para com o povo judeu, rejeitando a alegação de que as promessas que lhe foram feitas passaram para a igreja. A restauração de Israel aponta para a fidelidade de Deus e para a aproximação do regresso de Cristo.
Foi em setembro de 2000 que, uma vez mais, decidi fixar residência em Israel, e desde essa altura é que tenho enfrentado alguns dos maiores desafios físicos da minha vida. Acredite, uma coisa não está independente da outra. Quando se decide fazer alguma coisa em Israel para o Senhor, desencadeia-se muita oposição. Tenho tido mais tipos diferentes de doenças do que consigo contar, entre as quais cancro, polimialgia reumática, e pneumonia dupla. Mas pela graça de Deus, tenho feito bons progressos.
Não pretendo vangloriar-me quando digo que não estou perturbado por uma crise aqui. Raramente estive em Israel sem que tenha havido uma crise. Há certos versículos na Bíblia aos quais recorro em momentos como estes que gostaria de partilhar consigo. Jeremias 31:10 diz:
“Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, E anunciai-a nas ilhas longínquas, e dizei: Aquele que espalhou [dispersou] a Israel o congregará e o guardará, Como o pastor ao seu rebanho.” (ACF)
Aqui Deus está a falar para as nações, não para Israel. Ele diz, na verdade: “Estou a planear restabelecer O Meu povo judeu na terra que lhes dei. Se procurarem dificultar ou se opor ao que estou a fazer, terei de vos tratar como os Meus inimigos.”
Isto é agora um facto da história. Aquele que espalhou [dispersou] a Israel o congregará, não irá apenas congregá-lo, mas está a congregá-lo. Lembre-se, aquelas palavras foram ditas há mais de dois mil anos. Mas descrevem com exactidão a situação contemporânea em Israel. A linguagem usada é particularmente apropriada. O Hebraico usa apenas uma palavra para dizer “irá congregá-lo”, e essa palavra tem a mesma raiz de kibbutz. Um kibbutz é um tipo especial de comunidade que surgiu quando os judeus começaram a voltar a esta terra. Assim podíamos amplificar essa declaração, “Aquele que espalhou [dispersou] a Israel congregá-lo-á em kibbutzim.” Este é um exemplo notável da visão profética de Deus revelada nas Escrituras. Pessoalmente, não acredito que Israel tivesse sobrevivido desde meados do século XX sem os kibbutzim.
Sempre que haja uma crise, a minha reação é reafirmar, “Ele que espalhou, dispersou Israel não irá simplesmente congregá-lo, mas está a congregá-lo e guardá-lo-á—ou protegê-lo-á.” O uso da frase “guardá-lo-á [ou protegê-lo-á]” é indicativo de que vai haver um tempo de crise, não será uma situação normal ou pacífica. Então, sempre que alguém liga o noticiário e oiço falar de mais uma crise, digo a mim mesmo, “Aquele que dispersou Israel está a congregá-lo e o guardará.”
Pessoalmente, não entro em pânico nesses tempos de crise. Procuro fazer uma avaliação realista e tomo precauções razoáveis. Mas isto não abala a minha convicção de que, “Aquele que espalhou a Israel, protegê-lo-á.”
Oração do Aflito
Em tempos de pressão, muitas vezes recorro ao Salmo 102. A versão de New King James chama a este salmo “Uma Oração do aflito, quando está sobrecarregado e derrama a sua queixa perante o Senhor.” Certamente que é um grito de desespero, mas também contém algumas joias preciosas. Os primeiros dois versículos revelam um coração desesperado:
“SENHOR, ouve a minha oração,
E chegue a ti o meu clamor [grito de socorro].
Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia,
Inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.” (ACF)
Cá está uma pessoa desesperada que sabe que não tem quem o ajude a não ser Deus. Gosto da maneira como os salmistas são francos; não encobrem nada: “Se o Senhor não me ouvir, não tenho outra ajuda. Estou no fundo do poço.” Depois, o salmista prossegue nos versículos três e quatro a descrever a sua lamentável condição:
“Porque os meus dias se consomem como a fumaça, E os meus ossos ardem como lenha.
O meu coração está ferido e seco como a erva,
Por isso me esqueço de comer o meu pão.”(ACF)
Esta é uma pessoa em desespero, que nem sequer se lembra de comer e que continua a perder peso. O salmista continua nos versículos cinco até ao sete:
“Por causa da voz do meu gemido os meus ossos se apegam à minha pele.
Sou semelhante ao pelicano no deserto;
Sou como um mocho nas solidões.
Vigio [fico acordado], sou como o pardal solitário no telhado.” (ACF)
O pelicano e a coruja são dois pássaros que raramente parecem felizes. E qual é o problema daquele pardal? Está só. Ele perdeu a sua companheira.
Nos versículos oito até ao dez chegamos ao cerne da questão:
“Os meus inimigos me afrontam todo o dia;
Os que se enfurecem contra mim têm jurado contra mim. Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lágrimas a minha bebida,
Por causa da tua ira e da tua indignação,
Pois tu me levantaste e me arremessaste.” (ACF)
Para mim, esse é a essência do sofrimento do homem: “Tu me levantaste e me arremessaste. Elevaste-me. Deste-me notoriedade, e então descartaste-me.” Creio que esta é a declaração mais amarga que alguém possa fazer.
Falando como gentio, vejo isto como a raiz da agonia do povo judeu. Deus exaltou-os há mais de 2400 anos. Naquele tempo, se quisesse saber a verdade acerca de Deus, a quem recorria? A um judeu. Se quisesse conhecer as formas de verdadeira adoração, a quem recorria? A um judeu. Se quisesse encontrar Deus pessoalmente, para onde iria? Para Jerusalém.
Nós, gentios, dificilmente conseguimos identificar-nos com tudo o que o povo judeu tem passado. O salmista diz, “me arremessaste.” Como evidência, onde outrora ficava o Templo, está agora uma mesquita muçulmana.
Através das minhas experiências a ministrar às pessoas que necessitam de libertação de demónios, aprendi algo sobre as razões pelas quais as pessoas sofrem. Aprendi que a mais difícil e dolorosa forma de sofrimento é a rejeição. A rejeição é, creio, a ferida mais profunda do coração humano.
Na nossa sociedade de hoje estamos rodeados por pessoas que têm sido rejeitadas. Creio que os seres humanos foram feitos para encontrar o amor. Mas quando uma criança pequena não recebe amor do pai ou da mãe, fica com uma ferida profunda de rejeição. Depois disso, muitas outras feridas podem surgir. As pessoas estão em constante busca de amor. Mas ao encontrar o oposto, o resultado é muitas vezes uma ferida desesperadamente profunda.
Acredito que a raiz do problema do povo judeu é a rejeição, e eles nem o sabem. Se já alguma vez lidou com uma pessoa rejeitada, saberá que muitas vezes tende a ser agressiva. Mas isso é apenas um disfarce. A verdade é que anseiam por ser amadas. Isto aplica-se ao povo judeu; eles anseiam por aceitação.
O salmista diz: “… Pois tu me levantaste e me arremessaste.” Poderia referir várias outras passagens que dizem a mesma coisa acerca de Israel. Deus certamente os levantou. Fez deles a cabeça das nações, deu-lhes um lugar de proeminência—e depois Ele arremessou-os! Porém, Ele não os arremessou para sempre, mas é preciso de ter fé para se apoderar disso.
É no Salmo 102:12 que encontramos esperança. Aqui está a resposta bíblica para a rejeição:
“Mas tu, Senhor, permanecerás para sempre,(ACF) o teu nome será lembrado de geração em geração.” (NVI)
“Mas Tu, Senhor.” Desvie a sua mente de si próprio, dos seus problemas, dos seus sofrimentos, dos seus fracassos. Não se encontra ajuda aí. A única fonte de esperança e de ajuda é o Senhor. Pode culpar outras pessoas pela sua situação (o que pode ser perfeitamente correto), mas elas não têm nenhuma solução para lhe oferecer. Só há uma solução: o Senhor—e Ele está sempre lá.
Um Tempo de Restauração
O nosso percurso pelo Salmo 102 tomou o rumo certo. O salmista escolheu confiar no amor e na misericórdia de Deus. Versículo 13:
"Tu te levantarás e terás misericórdia de Sião; pois o tempo de favorecê-la, sim, o tempo determinado, é chegado."(BKJ)
A restauração atual do povo judeu é uma marca singular da graça de Deus. No calendário de Deus, há um tempo determinado para favorecer Sião. Creio que ou estamos a viver nesse tempo agora ou estamos a aproximar-nos dele.
Há duas palavras naquele versículo que descrevem algo que nunca poderemos alcançar por mérito: favor e misericórdia. O mero facto de que precisamos de misericórdia quer dizer que não a podemos alcançar por mérito. Aqui, creio eu, temos um problema crucial para as pessoas religiosas como você e eu. Se não a podemos alcançar por mérito, não a queremos. A maioria de nós foi ensinada a pensar que a religião consiste em obter algo por mérito próprio. Se atingir certos padrões ou satisfizer certos requisitos, receberá certos benefícios. Acredito que há um elemento disto na vida da fé, mas não é disso que estamos a falar. Não se pode alcançar favor por mérito, nem a misericórdia. Por definição, não podem ser alcançados por mérito. Se precisa de misericórdia, significa que não a mereceu.
Ao ministrar ao corpo de Cristo, descobri que muitos cristãos criticam Deus porque Ele está a restaurar o povo judeu—e sentem que os judeus não o merecem. Mas essa é a própria essência do favor: receber o que não se merece. Um resultado desse modo de pensar é “a teologia da substituição,” que afirma que, uma vez que os judeus caíram da graça de Deus, todas as suas promessas passaram automaticamente para a igreja.
Por implicação, “a igreja” merece o favor de Deus. Mas isto deixa-me com um problema por resolver. Em mais de sessenta anos de ministério, ainda não encontrei uma igreja que realmente mereça o favor de Deus.
No versículo 16, o Salmo 102 avança para um clímax empolgante:
“Porque o Senhor reconstruirá Sião e se manifestará em glória.” (NVI)
A versão de King James diz: “Quando o SENHOR edificar a Sião, ele há de aparecer em sua glória.” (BKJ) A edificação de Sião é um dos sinais contemporâneos mais empolgantes de que o Senhor está a preparar-se para voltar.
O Salmo 102:18 diz, “Isto será escrito para a geração vindoura; e o povo que será criado irá louvar ao SENHOR.” (BKJ). Estava a partilhar este versículo com um amigo judeu, e ele fez o reparo que o hebraico não diz: “a geração vindoura”; diz, “a última geração”. Portanto, isto foi escrito para a última geração.
O que é que Deus procura, então? Um povo para O louvar, e se for necessário, Ele terá de o criar. Creio que é exatamente isso o que Deus está a fazer atualmente, está a criar um povo que Lhe oferecerá o Louvor que Ele merece. E nesse povo, haverá tanto judeus como gentios.

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