As Armas da Nossa Milícia

Derek Prince
Published: 2000
Last Updated: ottobre 2026
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O conflito espiritual não pode ser vencido apenas com a força humana ou com soluções políticas. Efésios 6 apresenta sete elementos de equipamento espiritual para resistir aos ataques de Satanás e enfrentar as fortalezas nos corações e nas mentes das pessoas. A oração e as Escrituras, guiadas pelo Espírito Santo, preparam o caminho para o reino de Cristo.
Em minha carta anterior, ressaltei que quando nos tornamos cristãos, nos envolvemos automaticamente numa guerra espiritual que abrange tanto o céu quanto a terra. Além disso, nossos inimigos mais poderosos e perigosos são um reino de anjos maus cujo quartel-general está nos lugares celestiais.
Em Sua sabedoria e misericórdia, Deus nos forneceu todas as armas de que precisamos para alcançar a vitória. Porque a nossa guerra acontece no reino espiritual, nossas armas também devem ser espirituais. Em 2 Coríntios 10:4, Paulo diz que “Porque as armas da nossa milícia não são carnais [subentende-se, então, que são espirituais], mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas.”
As fortalezas que atacamos também são espirituais. Ao longo dos séculos, Satanás construiu essas fortalezas nos corações e mentes das pessoas. São fortalezas do medo, da cobiça, do ódio, da idolatria, do preconceito racial, da superstição religiosa e muitas outras.
São essas fortalezas que frustram todas as tentativas dos políticos de negociar a verdadeira paz. Os argumentos lógicos e políticos usados nas negociações não são fortes o suficiente para derrubar as fortalezas espirituais que se interpõem no caminho da paz.
A verdadeira paz só virá à terra quando o reino de Cristo for estabelecido aqui. Estabelecer Seu reino na terra é o objetivo pelo qual lutamos e é por isso que precisamos de armas espirituais. É necessário derrubar as fortalezas espirituais nos corações dos homens e preparar o caminho para Cristo estabelecer Seu reino, primeiro nos corações das pessoas e depois em toda a terra.
Sete Armas Espirituais
Em Efésios 6:13–18, Paulo lista sete armas espirituais — ou itens de equipamento espiritual — de que precisamos. Ele tira seus exemplos do equipamento de um legionário romano de sua época. Aqui está a lista:
1. O cinto da verdade (versículo 14)
Na época de Paulo, tanto os homens quanto as mulheres normalmente usavam roupas longas e largas que chegavam pelo menos até os joelhos. Antes de empreender qualquer atividade extenuante, a primeira coisa que tinham que fazer era juntar suas roupas largas e enfiá-las num cinto. Somente depois disso é que eles estavam livres para começar a fazer uma ação mais vigorosa. Daí a frase que ocorre várias vezes: Tendo cingidos os vossos lombos com a verdade.
Cingir os lombos com a verdade exige que renunciemos a toda forma de desonestidade ou transigência. Se não tirarmos essas coisas do caminho, elas atrapalharão nosso progresso espiritual. Devemos ser fiéis à verdade das Escrituras mesmo quando ela é controversa ou nada popular.
Também devemos ser completamente abertos e sinceros em todos os nossos relacionamentos pessoais. Esta é uma condição essencial para o crescimento espiritual adequado. Escrevendo aos novos cristãos, Pedro diz:
“Deixando, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações. Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” (1 Pedro 2:1–2).
Acima de tudo, devemos ser absolutamente abertos e honestos em nossas relações com o próprio Deus. Esta é uma condição para receber revelação espiritual. No Salmo 51:6 Davi diz:
“Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria.”
Deus revela Sua sabedoria oculta apenas para aqueles que têm a verdade no seu íntimo.
2. A couraça da justiça (versículo 14)
Essa protege nosso coração. Em Provérbios 4:23 somos avisados:
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
Nosso sucesso na vida espiritual depende de como nos relacionamos com Deus e com o homem. Devemos seguir o exemplo de Paulo e “sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens” (Atos 24:16).
O tipo de justiça que Deus procura não é aquela que concorda com a doutrina apenas com o seu intelecto. É uma condição do coração, não da mente.
“Visto que com o coração se crê para a justiça (…).” (Romanos 10:10)
Também não é a observância de regras religiosas. Paulo ficou anos ocupado com isso, mas quando conheceu a Cristo, sua ambição mudou:
“(...) para que possa ganhar a Cristo. E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé.” (Filipenses 3:8–9)
3. Os sapatos na preparação do evangelho da paz (versículo 15)
Os legionários romanos usavam sandálias muito fortes. Isso os tornava altamente capazes de executar as longas caminhadas que eles eram forçados a fazer de improviso.
Como cristãos, precisamos ser assim também, disponíveis para Deus e para Seus propósitos, onde e quando Ele nos chamar, ainda que seja algo de última hora ou em circunstâncias inesperadas. Isso requer preparação. Devemos nos familiarizar com as verdades básicas do Evangelho e como apresentá-las a um incrédulo.
Além disso, é um evangelho da paz. Só podemos comunicá-lo de forma eficaz se tivermos verdadeira paz em nossos próprios corações, uma paz que não depende de nossas circunstâncias externas. Para um pecador perturbado e perplexo, o tom de nossa voz pode comunicar nossa mensagem de forma mais eficaz do que as próprias palavras que falamos.
4. O escudo da fé (versículo 16)
A palavra escudo está conectada com a palavra porta. Seu comprimento era maior do que a sua largura. Um soldado treinado poderia se agachar e acomodar seu corpo para que ficasse completamente protegido. Mas ele tinha que estar em boa forma fisicamente. Um homem acima do peso não conseguiria ficar totalmente protegido.
Nosso escudo da fé também deve ser capaz de nos proteger em todos os lados. Deve abranger toda a nossa personalidade — espírito, alma e corpo. Devemos também ser tão espiritualmente treinados e exercitados que somos capazes de nos encaixar dentro de uma área totalmente rodeada pelas promessas das Escrituras. Qualquer coisa em nossas vidas que seja supérflua ou autocomplacente estará fora da proteção de nosso escudo.
Às vezes, Satanás usa contra nós flechas “em fogo”. Elas foram incendiadas. Elas foram projetadas não apenas para ferir, mas também para incendiar tudo o que passa pela sua frente. Elas podem iniciar incêndios de fofoca, calúnia ou divisão nas famílias ou até mesmo em congregações inteiras. Mas o escudo da fé — usado de forma vigilante e eficaz — não apenas deterá as flechas, como as apagará. Isso extinguirá as chamas.
5. O capacete da salvação (versículo 17)
Assim como a couraça protege nosso coração, o capacete protege nossa mente—nosso pensamento. A mente é a área em que os cristãos são mais regularmente atacados. Dentro de nossas mentes, muitas vezes há uma guerra contínua. Satanás procura insinuar pensamentos que vão nos perturbar, distrair ou nos tornar ineficazes em nossa guerra contra ele.
Deus me ensinou pessoalmente muitas lições nesta área. Quando nasci de novo, a minha mente era constantemente bombardeada por depressão ou desânimo. Percebi que precisava de alguma proteção eficaz naquela área. Quando li a lista da armadura que Paulo dá em Efésios 6:13–18, percebi que era do capacete da salvação que eu precisava. Mas então eu disse a mim mesmo: “Eu sei que estou salvo. Será que isso significa que automaticamente já tenho o capacete da salvação ou será que é algo que preciso obter depois que fui salvo?”
Ao refletir sobre isso, vi que os cristãos em Éfeso, a quem Paulo estava escrevendo, já eram salvos. No entanto, Paulo ainda assim os instruía a tomar o capacete da salvação. Portanto, ficou claro para mim que eu precisava fazer o mesmo. Mas o que era esse capacete da salvação que deveria servir de proteção para a minha mente?
Felizmente, eu estava usando uma Bíblia com referências cruzadas. A referência cruzada de Efésios 6:17 era 1 Tessalonicenses 5:8: “(...) e tendo por capacete a esperança da salvação.” Essa Escritura me mostrou que a proteção para a mente era a esperança e esperança é uma expectativa de coisas boas, é ser otimista. Mas eu estava acostumado a ser um pessimista.
Eu me propus a procurar, e em muitos casos a memorizar, as passagens das Escrituras que me fornecessem uma base sólida e constante para o otimismo. Hoje minha mente está definitivamente protegida!
Até aqui, todos os itens de equipamento que consideramos eram quase que exclusivamente usados para fins de proteção ou defesa. Nesta altura, Paulo começa a falar das armas de ataque. Há uma razão lógica e prática para isso: se tentarmos atacar antes de termos assegurado a nossa defesa, estaremos despreparados para o contra-ataque do inimigo e provavelmente nos tornaremos uma vítima de guerra. Esta é uma das principais razões pelas quais alguns cristãos acabam saindo da guerra machucados, feridos e antes dela terminar.
Voltaremos agora para as duas armas restantes.
6. A espada do Espírito (versículo 17), que é a Palavra de Deus
Esta espada pode ser usada tanto para ataque quanto para defesa, mas é, mais do que tudo, uma arma de ataque. Alguém disse: “A melhor defesa é o ataque”, e isso geralmente é verdade no reino espiritual.
A palavra neste versículo é traduzida como rhema, que geralmente denota uma palavra que é falada. Não é a Bíblia em nossa estante ou mesmo em nossa mesa de cabeceira que será eficaz. Mas quando tomamos a Escritura em nossa boca e a proclamamos com ousadia por meio de nossos lábios, aí então, ela se torna uma espada afiada de dois gumes.
Observe, também, que é “a espada do Espírito [Santo]”. Podemos tomar a Palavra de Deus em nossa boca, mas ela só atinge seu pleno efeito quando é o Espírito Santo dentro de nós que realmente a maneja.
O padrão perfeito de como usar a espada do Espírito é fornecido pelo encontro de Jesus com Satanás no momento de Sua tentação no deserto. Três vezes Satanás se aproximou de Jesus com uma tentação e todas as vezes Jesus o repeliu com a mesma frase: “Está escrito” (Mateus 4:4; 4:7; 4:10). Jesus não usou outra arma senão a rhema—a palavra falada do Senhor. Deus disponibilizou a mesma arma para todos os cristãos.
É importante, no entanto, ter duas coisas em mente. Primeiro, Jesus já havia sido “cheio do Espírito Santo” (Lucas 4:1). Foi o Espírito Santo em Jesus que O direcionou no uso da espada.
Em segundo lugar, Jesus, como todo menino judeu de sua época, havia memorizado longas passagens das Escrituras. Quando Satanás O confrontou, Ele não precisou consultar uma concordância ou ir a uma biblioteca. Ele já havia armazenado as Escrituras em Sua memória. Certamente, hoje precisamos fazer isso tanto quanto Jesus fez!
7. Toda oração (versículo 18)
Esta sétima arma não está listada exatamente da mesma forma que as seis anteriores, mas é definitivamente necessária para completar o equipamento do soldado cristão. Dos seis itens anteriores, apenas o último—a espada do Espírito—é uma arma de ataque, e mesmo a espada é eficaz apenas até onde o braço de um soldado pode alcançar.
Mas esta sétima arma de toda oração não está sujeita a tais limitações. Podemos chamá-la de nosso míssil balístico intercontinental. A oração focada, dirigida pelo Espírito Santo, pode alcançar continentes e oceanos e atingir com precisão infalível qualquer alvo que lhe for designado. Sem dúvida é a mais poderosa e a mais eficaz de todas as armas do arsenal cristão.
Como a espada mencionada anteriormente, esta arma de toda oração depende do Espírito Santo para sua eficácia. Deve-se orar “no Espírito” (Efésios 6:18). Deus não confia tal arma a cristãos que são guiados apenas por seus desejos e emoções carnais.
Toda oração inclui muitos tipos diferentes de oração, como aquelas listadas em 1 Timóteo 2:1: súplicas, orações, intercessões e ações de graças. Não é um instrumento de solo para ser tocado sozinho. Muito pelo contrário, é para ser produzido por uma orquestra de muitos instrumentos combinados em harmonia pelo Espírito Santo.
Às vezes são necessários obstáculos aparentemente intransponíveis para provocar esse tipo de oração. Em Atos 4:15–18, os apóstolos foram confrontados com uma estratégia de Satanás que poderia ter interrompido todas as atividades evangelísticas posteriores. O conselho judaico, que era a autoridade religiosa suprema do povo judeu, ordenou oficialmente aos apóstolos que “não falassem, nem ensinassem no nome de Jesus”.
Os oponentes do evangelho eram suficientemente perspicazes para reconhecer a importância e a singularidade do nome de Jesus. Toda a eficácia do evangelho dependia disso. Como o próprio Pedro havia declarado ao conselho:
“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:12)
Por este decreto do conselho, Satanás havia construído uma “fortaleza” que teria impedido todo o progresso do evangelho ou o crescimento da igreja primitiva.
Confrontados com esse esquema satânico, todos os crentes se reuniram para buscar a ajuda de Deus. Todos juntos, numa só orquestra, eles clamaram ao Senhor por Sua intervenção. Deus respondeu com tal demonstração de Seu poder que “E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” (Atos 4:31). A arma de toda oração destruiu a fortaleza de Satanás.
Em muitas partes do mundo hoje Satanás tem construído obstáculos e oposição ao progresso do evangelho. É hora da igreja usar sua arma mais poderosa: a arma de toda oração.
O tópico da minha próxima — e última — carta sobre este tema será O Clímax do Conflito.

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