Orando Pelas Autoridades (Parte 1)

Derek Prince
Published: 1970
Last Updated: Oktober 2026
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Orar pelas autoridades é uma responsabilidade cristã, não um substituto para a crítica. As Escrituras exortam o povo de Deus a se humilhar, buscá-Lo, abandonar o pecado e interceder pelo governo. Esse tipo de oração promove condições pacíficas e piedosas para que o evangelho alcance as pessoas.
Os cristãos são responsáveis pelo governo sob o qual vivem. Se você gastasse menos tempo criticando e mais tempo orando, teria menos pelo que criticar.
Existem várias maneiras pelas quais a igreja pode tornar sua autoridade eficaz no seu país. Eu sugeriria quatro maneiras: oração, testemunho, pregação e fazer o bem. Essas são as principais maneiras pelas quais Deus espera que a igreja exerça sua influência.
Deus deseja que a igreja exerça uma influência controladora nos assuntos deste mundo por meio da oração. Isso está claramente declarado nas Escrituras. Se a igreja falhar em fazer isso, a igreja se tornou em sal que perdeu seu sabor.
Em 2 Crônicas 7:14 lemos: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” Esta é uma revelação dada pelo Senhor a Salomão depois que ele tinha dedicado o templo a Deus. Alguns de vocês, sem dúvida, têm a seguinte atitude: essa promessa foi dita a Salomão há muito tempo no Antigo Testamento e não tem muito significado para nós hoje. Deixe-me lidar com essa objeção brevemente.
Em 2 Coríntios 1:20 lemos: “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós”. Não só algumas das promessas, mas todas as promessas! Não foram, não serão - mas são! Não apenas sim, mas se você ainda estiver em dúvida, sim e amém! Nele (Cristo) para a glória de Deus através de nós. “Nós” refere-se a todos os cristãos, incluindo você e eu. Como glorificamos a Deus? Ao reivindicar Suas promessas! Quanto mais promessas de Deus reivindicamos, mais glorificamos a Deus. Todas as promessas de Deus estão disponíveis para nós em Cristo hoje.
Voltando à promessa em 2 Crônicas 7:14, creio que você pode ver como essa promessa, ainda hoje, se refere tanto a mim quanto a você! Deus fala de “... e se esse meu povo, que se chama pelo meu Nome.” Esta é a versão Almeida Corrigida Fiel. Traduzindo literalmente do hebraico temos: “... Meu povo, sobre quem é invocado o Meu nome.” O povo de Deus são aqueles sobre os quais Seu nome é invocado. Se você é cristão, o que isso significa? Significa que o nome de Cristo é invocado sobre você. Você está associado ao nome de Cristo. Você é identificado como cristão pelo nome de Cristo. Portanto, esta promessa se aplica aos cristãos: o povo de Deus sobre o qual o nome de Cristo é invocado.
Deus diz que se Seu povo fizer quatro coisas, Ele fará três coisas. O povo de Deus tem que fazer quatro coisas primeiro, antes que Deus faça as três coisas que Ele se comprometeu a fazer. É uma promessa condicional. Deus não diz que fará isso incondicionalmente, mas diz: “Se o meu povo atender às minhas condições, então farei essas coisas”.
Olhando primeiro para o final do versículo, a última coisa que Deus fará por Seu povo é curar sua terra. É claro que é da terra onde o povo vive que Ele está falando. Deus diz que está dentro do poder de Seu povo fazer coisas que farão com que Deus cure a terra em que vivem. Olhe para a terra em que vivemos. Você acha que ela precisa de cura? Há apenas uma resposta. Sim! O fato de que a terra precisa de cura indica que o povo de Deus falhou em fazer o que Deus lhes disse que deveriam fazer. A responsabilidade é nossa - não do viciado em drogas, não da prostituta, não do homem que nunca nem olha para a porta de uma igreja. A responsabilidade é das pessoas sobre as quais o nome de Cristo é invocado!
Se nossa terra não está curada, só há um motivo. Não fizemos as coisas que Deus requer. Eu acredito que esta é precisamente a verdade. É simplesmente outra maneira de dizer o que Jesus disse em Mateus 5:13: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens”. Se a nossa terra não for curada pela nossa presença é porque o nosso sal perdeu o sabor.
O que o sal faz? Em primeiro lugar, dá sabor. Enquanto estivermos presentes na terra, damos sabor à terra aos olhos de Deus. Em outras palavras, Deus aceita o mundo por causa dos cristãos. Deus lida com o mundo em graça e misericórdia, ao invés de ira e julgamento, por causa de nossa presença.
Acredito, mesmo, que podemos fazer a diferença no lugar em que vivemos. Eu descobri isso durante a Segunda Guerra Mundial. Alguns soldados se sentiam mais seguros onde eu estava. Soldados não salvos sabiam disso. Quando estávamos encurralados no deserto do norte da África, alguns daqueles soldados blasfemadores se voltavam para mim e diziam: “Cabo Prince, estou feliz de ter você aqui conosco”. O que Eliseu disse a Elias? “Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros!” (2 Reis 2:12). Onde eles estavam? Não ao redor de reis, mas ao redor de profetas.
Nós somos as pessoas que são a defesa do país. Somos o baluarte de qualquer nação. Considere o exemplo de Sodoma. Abraão disse a Deus: “Se houver dez homens justos, você poupará a cidade?” E Deus disse: “Sim”. Mas Ele não pôde poupar a cidade porque não conseguiu encontrar dez homens justos. Não sei quantos homens havia em Sodoma, mas sei que a mesma proporção ainda se aplica. Dez homens justos podem salvar uma cidade do tamanho de Sodoma. Cem homens justos podem salvar uma cidade dez vezes maior que Sodoma. Mil homens justos podem salvar uma cidade cem vezes maior que Sodoma. E assim por diante proporcionalmente. Sinto pena desta terra quando a igreja se for. Não haverá mais sal. Então a ira e o julgamento serão derramados sem qualquer limitação ou restrição. Mas enquanto estamos aqui, somos o sal da terra.
O sal também preserva. Ele detém o apodrecimento. Antes da refrigeração, a carne era conservada com sal. Ele detinha a degradação do alimento. Para que estamos aqui? Para conter a degradação, a corrupção. Corrupção em todas as suas formas – moral, social, política. Enquanto estivermos aqui, faremos isso. Jesus disse: “Se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para ser lançado fora e pisado pelos homens”. Quando a igreja deixar de cumprir sua função de sal, será lançada fora e pisada pelos homens. Esses homens podem ser comunistas ou nazistas ou seguidores de algum outro “ismo” que ainda não surgiu no horizonte. Mas serão os homens que pisotearão a igreja que não está cumprindo seu papel de sal para o mundo.
Quais são as coisas que Deus exige que Seu povo faça? Em primeiro lugar, “... Se Meu povo se humilhar”. Essa é a coisa mais difícil para as pessoas religiosas fazerem. Não estou brincando, estou falando sério. Você ouve algumas pessoas dizerem: “Deus, faça-me humilde”. Deus nunca disse isso. Deus disse: “Humilhe-se”. Ele não disse: “Eu farei isso por você”. Deus não pode humilhá-lo. Deus pode humilhá-lo, e pode ser que tenha que fazê-lo, mas a única pessoa que pode humilhá-lo é você mesmo. A humildade deve vir por um ato interior de sua vontade. Não pode vir de nenhuma outra maneira. Se você não escolher se humilhar, você pode ser humilhado até o pó, mas ainda ser orgulhoso como um pavão.
A primeira condição é humilhar-se e submeter-se a Deus. Se formos submissos a Deus, também seremos submissos à Sua Palavra e à Sua autoridade. É fácil dizer que você se submete a Deus, mas a Palavra de Deus diz: “Sujeitem-se uns aos outros... Mulheres, sujeitem-se a seus próprios maridos... Filhos, obedeçam a seus pais...” (Efésios 5:21-22; 6:1). É aí que não é tão fácil. Muitas pessoas afirmam: “Sou submisso a Deus”, mas quando chega o teste em seu relacionamento com outras pessoas, é óbvio que não são.
Se você quiser se humilhar, você deve ser o executor. Não é uma coisa ruim, de vez em quando cair de cara no chão diante de Deus. Você já fez isso? Diga: “Deus, aqui estou e aqui é o meu lugar! Eu sou um verme. Eu vim do pó e o pó é o meu lugar”. Você acha que isso é fanatismo? Leia a Bíblia e veja o número de homens que se prostraram diante de Deus: Abraão, Moisés, Davi, Daniel. Praticamente não há sequer um dos grandes e notáveis santos de Deus de quem não esteja registrado que ele tenha caído de cara no chão diante de Deus. Se foi um bom lugar para Moisés, Davi, Daniel e outros, creio que será um bom lugar para você, também.
“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar.” Este é o passo número um e você não pode deixá-lo de fora. Deus tem Seu programa espiritual organizado em séries: 1ª série, 2ª série, 3ª série, 4ª série. Até que você passe na 1ª série, você nunca chegará à 2ª série. Não importa se você tem que repetir a 1ª série dez vezes, Deus não irá promovê-lo. É por isso que alguns de vocês ficaram presos por tanto tempo na mesma série. Não pense: “Senhor, não consegui passar na 1ª série, mas vou conseguir na 2ª série. Não, não vai funcionar!
O segundo passo é orar. “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar.” Não comece a orar até que você se humilhe. A humildade vem antes da oração.
“Orem e busquem a Minha face.” O terceiro passo é buscar a face de Deus. O que isso significa? Entendo que significa entrar diretamente na presença do Deus Todo-Poderoso — onde todas as barreiras e obstáculos são removidos e você fica face a face com o nosso Deus Onipotente. Você pode ter uma reunião de oração, mas isso não significa necessariamente buscar a face de Deus.
Um jovem veio até mim, buscando o batismo do Espírito Santo. Ele era obreiro em uma igreja. Eu disse a ele que poderia vê-lo na quarta-feira à noite. Ele disse que tinha que comparecer a uma reunião de oração naquela noite, mas que daria para vir logo depois. Eu disse: “Acho que vai ficar tarde para você vir para o batismo”. “Oh, não”, disse ele, “nossa reunião vai só das 8 às 9 horas”. Essa é uma reunião de oração, mas não é buscar a face de Deus. Quando você busca a face de Deus, você não pode parar até entrar na presença de Deus - mesmo que isso demore a noite toda. Muitas vezes oramos, mas não buscamos a face de Deus porque paramos antes de fazer contato com Ele.
O quarto passo: “... e se converter dos seus maus caminhos.” Quem? O alcoólatra, os jovens que não vão à igreja? Não, o cristão - o povo de Deus! O obstáculo ao avivamento está dentro da igreja, não fora dela. Nunca esteve fora.
Você sabe onde começa o julgamento? Na casa de Deus. “Porque já é tempo”, diz Pedro, “que comece o julgamento pela casa de Deus” (1 Pedro 4:17). Para deixar isso duplamente claro, ele acrescenta: “Começa por nós”. Então ele pergunta: “Qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” Deus sempre operou dessa maneira. Ele começa com as pessoas que mais sabem. “E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá” (Lucas 12:48). Você diz: “Irmão Prince, eu não ando nos maus caminhos”. Eu respondo: “Você nunca chegou perto o suficiente de Deus para ver. Se você tivesse entrado na presença de Deus, teria visto seus maus caminhos. O próprio fato de você dizer que não anda nos maus caminhos demonstra o quão longe você está de Deus”.
Depois desses quatro passos, Deus diz: “Eu ouvirei do céu”. Deus não se comprometeu a ouvir todas as orações. Você sabia disso? Estou convencido de que em muitas igrejas as orações não vão além do teto. Deus não se comprometeu a ouvir todas as orações. Na verdade, Deus diz: “Se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos” (1 João 5:15). A dificuldade não é fazer com que Deus responda, mas fazer com que Deus ouça.
“... Então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados.” pecado de quem? O pecado da prostituta ou do drogado? Não, o pecado da igreja!
“... E sararei a sua terra.” Para mim a questão é clara. Se uma terra não for curada, a culpa é do povo de Deus. Eu considerei isso, orei sobre isso e meditei sobre isso. A responsabilidade pela condição da América moderna está nas portas da tão professada igreja. Eu acredito que esta é exatamente a verdade. Se nossa terra não for curada, a responsabilidade é nossa. Divido a responsabilidade com vocês. Não estou dizendo algo que é verdade só sobre vocês, a responsabilidade é minha também.
Cura Através da Oração
Como podemos trazer a cura? Vou falar com você sobre a oração. Basearei meu ensino nos primeiros quatro versículos de 1 Timóteo capítulo 2:1-4
- “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens;
- Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade;
- Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,
- Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.”
Consideremos estas palavras.
Paulo diz: “Antes de tudo, ore!” Se você ignorar a oração, poderá ter todos os tipos de planos, sistemas e programas, mas não terá o poder de operá-los. É como ter um prédio conectado à eletricidade, mas não conectado ao gerador. Nada vai funcionar. Os fios podem estar em bom estado e as luminárias podem ser maravilhosas, mas você não obterá resultados, porque não há energia. A força motriz da igreja cristã é a oração, e Paulo diz muito logicamente: “Antes de tudo, ore!”
Então, pelo que ele nos diz para orar? Primeiro, “para os reis e todos os que estão em posição de autoridade”. Agora, minha experiência é que a maioria do povo que professa a Deus raramente ora por aqueles que estão em autoridade, muito menos ora por eles primeiro. Se você faz parte de uma igreja episcopal, garanto que em seu livro de orações há uma só para aqueles que estão em posição de autoridade. E é bom que esteja lá, mesmo. Mas vou dizer algo da experiência que tive na igreja anglicana. Uma coisa é fazer uma oração lendo-a de um livro e outra coisa é orar. Essas duas coisas não são iguais. Muitas pessoas oram através de um livro de orações e se você perguntar a elas cinco minutos depois pelo que oraram, elas não conseguem se lembrar. É simplesmente uma formalidade.
Qual é o primeiro tópico específico para a oração? “Todos os que estão em posição de autoridade”: o primeiro-ministro, gabinete, membros do parlamento, vereadores, comissários de polícia, todos. Você ora por eles? Quando você orou pela última vez pelas autoridades? O que você fez por último - criticar ou orar? Se você orar pelas pessoas do governo, terá menos para criticar. Deus não te chamou para criticar, Ele te chamou para orar. Se você não está orando, você é desobediente. Sou britânico, mas como estou morando nos Estados Unidos, oro pelo presidente daqui quase todos os dias. Minha esposa pode atestar esse fato. Oramos juntos e raramente passa um dia sem que oremos pelo líder desta nação. Tenho certeza de que ele precisa de oração. Pelo que devemos orar em relação às autoridades? É o desdobramento mais lógico da oração que posso encontrar na Bíblia. Na segunda parte do versículo 2, somos instruídos a orar “para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica, em toda a piedade e honestidade”. Em uma frase simples: “por um bom governo”. Você não concordaria com isso? Se quisermos viver uma vida tranquila e pacífica em toda piedade e honestidade, devemos ter um bom governo.
No versículo 3, Paulo continua: “Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador”. A que “isso” se refere?À cláusula anterior, “... para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica em toda piedade e honestidade” - mais brevemente, “para que possamos ter um bom governo”.
Por que Deus quer tranquilidade, ordem e bom governo? Por uma razão muito real e prática. Porque Ele deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Em que circunstâncias é mais fácil levar a verdade a todos os homens? Sob um governo que é justo e imparcial e mantém a lei, a ordem e as liberdades civis? Ou sob um governo que não pode suprimir a violência e a desordem e não pode controlar a situação e é injusto e ditatorial? Que tipo de governo torna mais fácil levar a verdade a todos os homens? Qualquer pessoa sensata responderia: um bom governo. É por isso que Deus deseja um bom governo, porque ele promove a propagação do evangelho, que é Seu objetivo nesta dispensação. Não há nada difícil, não há nada complicado, é totalmente sensato e prático.

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