O Erro de Balaão

Derek Prince
Published: 1995
Last Updated: Oktober 2026
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Os dons espirituais não podem substituir o caráter puro, e o amor ao dinheiro pode afastar uma pessoa da obediência a Deus. Derek Prince usa a queda de Balaão para distinguir a habilidade espiritual do fruto espiritual e alertar contra o uso do ministério para obter lucro.
Leitura sugerida:
- Números 22-25
- Números 31
À primeira vista pode parecer que a história de Balaão, o adivinho, registrada em Números 22-25 não tem nenhuma relevância para os cristãos de hoje. No entanto, os escritores do Novo Testamento referem-se a Balaão em três passagens diferentes, sempre trazendo uma nota de advertência. Portanto, é claro que sua história contém lições importantes para os cristãos.
Balaão é uma pessoa estranha e intrigante - uma combinação perturbadora de dons espirituais sobrenaturais com um caráter corrupto. Por incrível que pareça, vemos, na igreja de hoje, cada vez mais, ministérios que combinam dons espirituais com um caráter corrupto.
A história de Balaão começa com Israel acampado na fronteira de Canaã. A presença deles inspirou medo em Balaque, rei de Moabe, cujo território fazia fronteira com o acampamento dos israelitas. Aparentemente, ele via os israelitas como uma ameaça ao seu reino, embora eles não tivessem feito nada para justificar seu medo.
Sentindo-se incapaz de enfrentar Israel na batalha, Balaque decidiu usar armas espirituais contra eles. Ele enviou alguns de seus príncipes com uma boa soma de dinheiro em suas mãos, a fim de chamar Balaão para vir e lançar uma maldição sobre Israel. Como um “adivinho” (vidente ou feiticeiro), Balaão tinha a reputação de proferir bênçãos ou maldições com um efeito poderoso para o bem ou para o mal.
Balaão era de Petor, na Mesopotâmia. Ele não era um israelita. No entanto, ele tinha um conhecimento pessoal e se relacionava diretamente com o único Deus verdadeiro. Quando Balaque lhe pediu para amaldiçoar Israel, ele respondeu: “Não poderia ir além da ordem do SENHOR meu Deus”. A forma em português, “o SENHOR” (em maiúsculas), é a tradução aceita do sagrado nome hebraico de Deus, traduzido como “Jeová” ou “Yahweh”. Balaão conhecia a Deus por Seu nome sagrado e o chamou de “meu Deus”. Quando os emissários de Balaque chegaram, Deus disse a Balaão para não ir com eles e para ele não amaldiçoar Israel (Números 22:12).
A resposta de Balaque foi enviar um grupo maior e mais honrado de príncipes, com a promessa de uma recompensa ainda maior. Desta vez, o Senhor deu permissão a Balaão para ir com uma condição: se aqueles homens vierem te chamar (Números 22:20).
Não há registro, porém, de que os homens tenham vindo chamar Balaão novamente. No entanto, ele foi e, por causa de sua desobediência, caiu sob a ira do Senhor, que se opôs a ele em sua jornada e quase o matou. Por fim, porém, o Senhor o liberou para ir, mas impôs a condição: “Somente a palavra que eu falar a ti, esta falarás” (Números 22:35).
Balaque deu as boas-vindas a Balaão e fez os mais elaborados preparativos para que ele amaldiçoasse Israel. Mas em cada uma das vezes em que Balaão deveria amaldiçoar Israel, o resultado era exatamente o oposto. Ao todo, Balaão proferiu quatro profecias que estão entre as mais belas e poderosas revelações das Escrituras sobre o irrevogável compromisso de Deus de abençoar Israel.
Frustrado por Deus em sua tentativa de amaldiçoar Israel, Balaão propôs uma estratégia diferente contra eles (veja Números 31:16). Se as mulheres moabitas pudessem induzir os israelitas à idolatria e à imoralidade, não seria necessário amaldiçoar o povo. O próprio Deus traria julgamento sobre eles. A segunda estratégia de Balaão foi bem sucedida e 24.000 israelitas pereceram sob o julgamento de Deus (Números 25:1–9).
Em todas essas situações, Balaão reagiu das formas mais inconstantes. Mais de uma vez ele foi explicitamente proibido de amaldiçoar Israel. Por revelação sobrenatural, ele afirmou quatro vezes o imutável propósito de Deus de abençoar Israel e julgar seus inimigos. Mas ele persistiu obstinadamente em cooperar com Balaque, o inimigo de Israel, e em tramar a destruição de Israel. Certamente era apropriado que ele perecesse da mesma forma que os outros inimigos de Israel, morto à espada juntamente com os reis de Midiã (Números 31:8).
Somos levados a nos perguntar: Que motivo poderia ser tão poderoso e convincente que levaria Balaão a agir em oposição direta à revelação que recebera de Deus e a fazer algo que causaria a sua total destruição? Dois escritores do Novo Testamento dão uma resposta clara e específica a esta pergunta.
Falando de falsos mestres na igreja, Pedro diz:
“Os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça” (2 Pedro 2:15).
Também Judas, falando dos falsos mestres, diz:
“(...) porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão (...)” (Judas 1:11)
A resposta é clara. Balaão foi tentado a ponto de se destruir, por amor ao dinheiro. Para esse fim, ele estava disposto a prostituir seus maravilhosos dons espirituais. Provavelmente ele também ficou lisonjeado com a atenção que recebeu do rei Balaque e de seus príncipes. O amor ao dinheiro está intimamente associado ao desejo de popularidade e poder. Todas essas concupiscências malignas crescem do mesmo solo: orgulho.
Lições com a História de Balaão
Há três lições importantes que precisamos aprender com a história de Balaão.
Primeiro, o Todo-Poderoso Deus assumiu o compromisso irrevogável de estabelecer os judeus como Seu povo para sempre. Não há poder no universo, humano ou satânico, que possa anular esse compromisso. Os judeus muitas vezes foram infiéis a Deus, e Ele trouxe julgamentos severos sobre eles, mas a infidelidade deles nunca conseguiu anular a fidelidade de Deus.
É importante ver que a iniciativa em relação a tudo isso procede de Deus, não dos homens. Os judeus não escolheram Deus, mas Deus escolheu os judeus. Tenho um jovem amigo, um ex-muçulmano — vamos chamá-lo de Ali — que se converteu a Cristo de maneira sobrenatural. Após sua conversão, ele começou a apresentar a Deus todas as suas queixas contra os judeus. Por fim, Deus respondeu: “Ali, seu problema não é com os judeus. É comigo. Fui Eu quem os escolheu.” Esse jovem agora tem o ministério de alcançar muçulmanos para Cristo, ensinando-os a orar pelos judeus.
Em Números 24:9, a profecia de Balaão revela um fator decisivo no destino dos homens e das nações. Falando a Israel, ele diz:
“(...) benditos os que te abençoarem, e malditos os que te amaldiçoarem.”
Sem nem perceberem, em diversas situações, indivíduos e nações estão determinando o seu destino como consequência da sua atitude para com os judeus. Aqueles que abençoam são abençoados e aqueles que amaldiçoam são amaldiçoados.
Em segundo lugar, uma das armas mais fortes e bem-sucedidas de Satanás contra nós é o amor ao dinheiro. Isso tem sido verdade desde os primeiros dias do cristianismo até agora. Um ministério acompanhado por poderosos sinais sobrenaturais, especialmente milagres de cura, quase sempre pode se tornar um meio de ganhar dinheiro.
Em 2 Coríntios 2:17, Paulo contrastou seu ministério com o de muitos de seus contemporâneos cristãos: Ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus visando lucro (NVI). Mesmo nos dias de Paulo, muitos cristãos usavam seu ministério para ganhar dinheiro!
O dinheiro em si não é mau. Não é necessariamente pecado ser rico. Por natureza, o dinheiro é neutro. Pode ser usado para o bem ou para o mal. Mas quando começamos a amar o dinheiro, caímos na armadilha de Satanás. Em 1 Timóteo 6:9–10, Paulo usa a linguagem mais solene para nos alertar contra isso:
“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.”
Em meu próprio ministério, muitas vezes ensinei sobre o plano de Deus para prosperar crentes compromissados com os propósitos de Seu reino. No entanto, olhando para trás agora, lamento todas as ocasiões em que ensinei esta mensagem sem equilibrá-la com a advertência de Paulo aqui em 1 Timóteo 6. Em minha mente, imagino os crentes que sucumbiram por amor ao dinheiro como pessoas que enfiaram um punhal afiado e envenenado no seu próprio corpo. Certamente foi isso que Balaão fez.
Terceiro, precisamos entender a diferença entre os dons do espírito e os frutos do espírito. Dons representam habilidade, mas frutos representam caráter. Um dom vem através de uma única e breve transmissão, mas o fruto vem através de um lento processo de desenvolvimento.
Receber um dom espiritual não muda, por si só, o caráter de uma pessoa. Se uma pessoa era orgulhosa, trapaceira, ou desonesta antes de receber um dom do espírito, essa pessoa ainda será orgulhosa, trapaceira e desonesta depois de recebê-lo.
Receber tal dom, no entanto, aumenta a responsabilidade de uma pessoa, porque aumenta a influência que ela pode ter sobre os outros. Também traz consigo a tentação de relacionar “sucesso” na vida cristã com a manifestação dos dons do espírito, e não com o desenvolvimento de um caráter correto e dedicado a Deus. Por mais incoerente que pareça, quanto mais dons uma pessoa recebe, mais atenção ela precisa dar ao cultivo dos frutos. Quando passarmos do tempo para a eternidade, deixaremos nossos dons para trás, mas nosso caráter estará conosco para sempre.
Balaão tinha uma visão clara do fim abençoado que aguarda os justos e isto é demonstrado pela seguinte oração:
“(...) de Jacó (...) que eu morra a morte dos justos, e o meu fim seja como o dele!” (Números 23:10) (ARA)
No entanto, a oração de Balaão não foi atendida. Ele foi executado no julgamento de Deus sobre os moabitas e morreu juntamente com o povo que o havia contratado para ficar do lado contrário de Deus.
O destino de Balaão fornece uma ilustração gráfica do ensino de Jesus em Mateus 7:21–23:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”
Simplificando, não há substituto para a obediência a Deus. Só ela pode nos garantir um lugar no céu.

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