O Espírito do Anticristo

Derek Prince
Published: 2002
Last Updated: ตุลาคม 2026
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O espírito do anticristo se opõe a Jesus como o Messias e busca substituí-Lo por um falso messias. Passagens bíblicas em 1 João, 2 Tessalonicenses e Apocalipse distinguem o engano atual do futuro Anticristo e alertam contra o abandono da verdade revelada.
Estamos vivendo em uma época em que a batalha entre o reino de Deus e o reino de Satanás está ficando cada vez mais acirrada. Acredito que isso ocorre porque estamos nos aproximando do retorno de Cristo — e da destruição final do reino de Satanás.
Quero examinar uma das principais atividades de Satanás e de seu reino: opor-se a Deus e à igreja de Jesus Cristo. Vou lidar com algo que chamo de o espírito do anticristo. Precisamos nos voltar, antes de tudo, para a passagem em 1 João 2:18–23, onde esse assunto é predominante.
“Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós. E vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas. Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.”
A operação do espírito do anticristo vai se intensificar à medida que nos aproximamos do fim dos tempos.
Deixe-me explicar o verdadeiro significado do termo anticristo. A palavra Cristo vem da palavra grega christos, que corresponde exatamente à palavra hebraica Mashiach, da qual obtemos o Messias. Então, quando dizemos “anticristo”, isso significa antimessias.
“Anti” é uma preposição grega. Tem dois significados e ambos se aplicam. Em primeiro lugar, significa “contra”. Portanto, a primeira operação é contra o Messias. O segundo significado é “no lugar de”. O propósito final é colocar um falso Messias no lugar do verdadeiro Messias. Assim, a operação total compreende duas fases. Quando você começar a reconhecer isso, verá que o espírito do anticristo está atuando intensamente em quase toda a igreja professa.
Tenho amigos que pertencem a uma igreja da velha linha evangélica. E eles me disseram: “Em nossa igreja, você pode falar sobre Buda, pode falar sobre Sócrates, pode falar sobre Martin Luther King e ninguém fica chateado. Mas se você fala de Jesus, todo mundo fica zangado”. Esse é o espírito do anticristo. Mas tenha em mente que esse não é o objetivo final de Satanás. Seu propósito é substituir o verdadeiro Messias por um falso Messias.
Em 1 João 4:2–3 lemos:
“Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo [o Messias] veio em carne é de Deus. E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo [o Messias] veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo.”
Se olharmos para isso junto com a passagem de 1 João 2, vemos três formas de anticristo. Em primeiro lugar, existem muitos anticristos. No curso da história, muitos anticristos apareceram e se manifestaram.
Em segundo lugar, há o Anticristo—uma pessoa específica. Essa é a manifestação final, o produto final do espírito do anticristo que ainda não foi revelado na história. Acredito que ele já esteja atuando nos bastidores, em secreto, contudo, não sabemos exatamente quem é. Mas no final desta era, as Escrituras deixam claro, haverá um último governador, extremamente mau e extremamente poderoso, que dominará a raça humana por um breve período, que será o Anticristo.
A terceira forma é o espírito do anticristo. O espírito do anticristo é o espírito que opera através de todo anticristo. E João nos deu certas marcas do espírito do anticristo que são muito importantes. Em primeiro lugar, começa associando-se ao povo de Deus. Em 1 João 2:19, João escreve sobre os anticristos:
“Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.”
Portanto, o anticristo sempre começa de alguma forma em associação com o povo de Deus. Mas, realmente não tem nada a ver com o povo de Deus, e no devido tempo isto há de ser manifestado. Essa é uma marca do espírito do anticristo.
A segunda é que nega que Jesus é o Messias, como vemos em 1 João 2:22:
“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo [o Messias]?”
E então João continua com a terceira marca:
“É o anticristo aquele que nega o Pai e o Filho.”
Isto é muito importante. O Anticristo não nega a existência de Deus. Na verdade, ele afirma ser o representante de Deus. O que ele nega é a relação do Pai e do Filho dentro da Divindade.
E a quarta marca do anticristo que é dada em 1 João 4 é que ele nega que o Messias tenha vindo—ele provavelmente acredita no Messias que virá, mas nega que o Messias já tenha vindo.
Um Exemplo Específico
Agora, ainda que seja um tema um tanto controverso, quero dirigir a sua atenção para um exemplo histórico do espírito do anticristo. Certamente não desejo ofender ninguém ou atacar outras religiões. O que eu quero fazer é apresentar a verdade.
A principal manifestação do espírito do anticristo é o Islamismo, a religião de Maomé. À luz dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001, na América, acredito que é muito importante que os cristãos estejam bem-informados sobre o Islamismo.
Maomé surgiu no século 7 na península arábica, afirmou ser um profeta e afirmou ter recebido de um arcanjo a revelação da religião que se tornou o Islamismo. Ele também afirmou que o Islamismo era o verdadeiro cumprimento do Antigo e do Novo Testamento. Maomé alegou que os cristãos e os Evangelhos haviam pervertido a verdade autêntica, mas ele a estava restaurando. Essa é a afirmação básica de Maomé. Primeiro, ele acreditou que, por rejeitar a idolatria e por rejeitar as reivindicações do cristianismo, o povo judeu o seguiria. E quando eles não o seguiram, ele se voltou contra eles - e tornou-se um perseguidor deles.
É uma tragédia que muitos cristãos no Ocidente tenham entendido mal e subestimado o Islamismo. Nos países muçulmanos ao longo dos séculos, cristãos e judeus têm recebido o título de dhimmi, que significa pessoas de segunda classe. Embora seja verdade que o Islamismo não foi culpado de nada tão terrível quanto o Holocausto, ele tem um longo histórico de 13 séculos de repressão e desprezo pelo Cristianismo e pelo Judaísmo.
As características do Islamismo se identificam, na sua maior parte, com as características do espírito do anticristo. Começou em associação com o Antigo e o Novo Testamento. Alegou ser o resultado de revelação divina. Mas nega certos fundamentos básicos da fé cristã, como a morte expiatória de Jesus na cruz. Maomé ensinou que Jesus não morreu, mas que um anjo veio e o levou embora antes de morrer. Já que não há morte, não há expiação e como não há expiação, não há perdão. Por isso, nenhum muçulmano tem a garantia de ter seus pecados perdoados, em momento algum.
Segundo, o Islamismo nega de forma absoluta que Jesus seja o Filho de Deus. Você pode falar com os muçulmanos sobre Jesus como um profeta, e eles lhe darão muita atenção. Na verdade, o Alcorão reconhece Jesus como um profeta – até mesmo como um Salvador, até mesmo como um Messias. Mas quando você diz que Ele é o Filho de Deus, você traz à tona a mais intensa e rancorosa oposição. Na famosa mesquita de Jerusalém, chamada de Cúpula da Rocha – construída no local onde outrora foi o Templo de Salomão – as inscrições em árabe ao redor dela dizem duas vezes: “Deus não precisa de um filho”.
Se você quiser ter uma ideia melhor das crenças e ensinamentos do Islamismo, gostaria de recomendar um livro do meu amigo Jim Croft intitulado The Muslim Masquerade (A Máscara Muçulmana). Jim pesquisou extensivamente sobre esse tópico e, neste livro, ele defende suas opiniões usando várias citações diretas do Alcorão.
A Pessoa
Agora quero explorar a manifestação final do espírito do anticristo: o Anticristo. Eu acredito que isso é algo que ainda está no futuro. Quero examinar algumas passagens muito importantes das Escrituras para que você não ignore o que Satanás está planejando.
Em 2 Tessalonicenses 2, Paulo trata do aparecimento, revelação e manifestação do Anticristo. Ele também aborda a preparação para o retorno do Senhor. E eles estão intimamente interligados, porque o ato satânico final antes do retorno do Senhor será a revelação do Anticristo. Na verdade, Paulo diz que o Senhor destruirá o Anticristo com o esplendor de Sua vinda. Em 2 Tessalonicenses 2:1–2 (ARC) lemos:
“Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o Dia de Cristo estivesse já perto.”
A palavra vinda aqui é a palavra parousia em grego, que normalmente é usada para a segunda vinda de Jesus.
Paulo escreveu: “Não se abalem nem se perturbem, nem por espírito, nem por palavra, nem por carta, como se viesse de nós”, porque ele sabia que muitos cristãos estariam preparados para acreditar em previsões específicas sobre o retorno de Jesus. Eu certamente ouvi muitas dessas previsões ao longo do meu ministério e estou surpreso com a multidão de cristãos que se prendem a elas.
Vejamos 2 Tessalonicenses 2:3:
“Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição.”
O termo apostasia do grego apostacia significa uma rejeição deliberada da verdade revelada.
Este versículo oferece dois títulos do Anticristo. Primeiro, ele é o homem do pecado - ou o [homem] iníquo. Ele é a personificação suprema da rebelião do homem contra Deus e contrário à moral, à religião, à justiça e à igualdade. Ele também é chamado de filho da perdição, ou seja, aquele que estará perdido por toda a eternidade. Judas Iscariotes é a única outra pessoa do Novo Testamento que é chamada de filho da perdição. Ele era um falso apóstolo.
Assim, vemos três nomes diferentes para o mesmo ser: o Anticristo, o iníquo, o filho da perdição. E temos outro nome importante em Apocalipse 13:1. Isso faz parte de uma visão que João teve nesta revelação.
“E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio. E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?” (Apocalipse 13:1-4)
Aqui vemos o quarto título: a besta—uma pessoa que se levantará a quem Satanás (o dragão) dará seu poder. Por que Satanás dará seu poder a essa pessoa? Porque isso vai fazer com que essa pessoa obtenha domínio sobre toda a raça humana, persuadindo-a de fazer a única coisa que Satanás mais deseja: ser adorado. Este é o objetivo dele. Ele tem trabalhado nisso pacientemente por muitos séculos e está muito próximo de atingir seu objetivo neste momento.
Observe que uma de suas cabeças foi “ferida de morte” e curada. Há uma espécie de falsa ressurreição aqui. Não sei se essa pessoa será assassinada, mas aparentemente ela estará morta e voltará à vida.
Em Apocalipse 5:5, João teve uma visão de um livro na mão de Deus, e não havia ninguém que fosse digno de abrir o livro. Então João estava chorando.
“E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos. E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto.”
João estava procurando um leão, mas o leão é um cordeiro. Isso é uma contradição deliberada. O governador designado por Deus não tem a natureza da besta. Ele tem a natureza do Cordeiro. E Ele é altamente exaltado acima de todos os outros porque deu Sua vida. Ele se humilhou. Ele seguiu o caminho da mansidão e da humildade, porque não resistiu àqueles que O prenderam nem aos Seus perseguidores. Acredito que a igreja naqueles dias vai precisar mostrar a mesma natureza. E não acho que isso seja fácil de se fazer.
Vimos que o povo adorava a besta. E todos estavam convencidos de que era inútil fazer guerra contra a besta. Não sei exatamente quais tipos de circunstâncias vão convencer “toda a terra" de que é inútil revidar. Quando você considera a era da tecnologia e armamento em que vivemos atualmente, é fácil acreditar que a situação retratada aqui pode estar muito próxima de acontecer.
Em Apocalipse 13:6–7, vemos o anticristo agir:
“E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los.”
Ele desafia Deus abertamente. Ele não é um inimigo secreto; ele insulta o Todo-Poderoso Deus com sinais de resistência e ameaça. E quem você acha que lhe deu permissão para guerrear - e vencer - os santos? Presumo que seja Deus, o que é um pensamento muito inquietante. Mas, devemos nos lembrar de que nem sempre é fácil ser um cristão.
Vamos mais longe e vejamos o versículo 8:
“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.”
Que declaração dramática! Toda a raça humana irá adorá-lo—exceto aqueles que Deus escolheu para Si mesmo.
Quero terminar examinando novamente 2 Tessalonicenses 2:3 (NVI):
“Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia [da vinda do Senhor] virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição.”
Acredito que esta apostasia está ocorrendo no mundo hoje. Ao longo dos séculos, sempre houve líderes de igrejas que agiam impiamente, mas não ao ponto de negar abertamente as grandes verdades básicas da fé cristã. Na realidade, eles usavam essas verdades para se manter no poder. Mas o século XX viu os líderes da igreja negarem as grandes verdades básicas da fé cristã: a divindade de Jesus, Seu nascimento de uma virgem, Sua morte expiatória, Sua ressurreição física e Seu retorno. Não acredito que isso tenha existido em nenhum século anterior. Acredito que já estamos enfrentando a apostasia. Lembre-se sempre de que a igreja é o alicerce contra o engano. Então Satanás tem que penetrar na igreja antes que ele possa surgir com seu engano.

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